25 de fevereiro de 2017

Adeus Syrah

Há 10 anos, quando te fomos buscar, eras uma, entre meia dúzia de gatinhos para adoptar. Todos os outros brincavam, e pareciam extremamente divertidos com algo que só eles entendiam. Tu estavas a observar a brincadeira. Olhei para ti e soube de imediato que te queria trazer para casa. Foi amor à primeira vista, sem margem para dúvidas ou indecisões, algo raro na minha vida. 
Quando chegaste cá a casa o gato que já cá morava assustou-te um pouco, mas mesmo com medo, não o deixaste intimidar-te. Parecia que só tinhas patas, orelhas, e olhos. E que olhos. Com esses olhos curiosos querias saber tudo do mundo, Não havia portas fechadas, gavetas fechadas, caixas, sacos, e tudo, que não abrisses para investigar. Olhavas para mim, e não precisavas de mais para me derreteres, eramos uma da outra. Adoptámos-nos uma à outra. Eu era a tua pessoa e tu um bocadinho do meu espírito em forma de gata  (quem conhecer a trilogia de Philip Pullman, entende)
Durante muitos anos, só o meu colo te servia. Esperavas que a casa acalmasse, e então vinhas pedir mimo, daquela forma que só os gatos sabem fazer. Foste sempre assim, arisca. Demorava conquistar-te. Eu fui a única excepção.
Sei que foste uma gata feliz, e isso conforta-me um pouco. Sei que não vou conseguir substituir-te nunca ( na verdade não o quero fazer).

24 de fevereiro de 2017

Medo do medo

Este mês, aderi a um desafio lançado pela Joana do blog Cor Sem Fim chamado A Cultura Mora Aqui. Com este desafio, ela pretende mostrar que há mais sobre o que escrever além de beleza, moda e maquilhagem, e eu identifiquei-me logo com essa ideia. Todos os meses o grupo base cria um tema diferente e cada um dos participantes adapta-o ao seu próprio blog. 
O tema deste mês era escrever sobre sentimentos e emoções e eu escolhi falar sobre o medo, por ser algo que tenho tentado compreender melhor de há uns tempos para cá.
O medo é uma emoção primária. Tem a função de proteger e é essencial à nossa sobrevivência. Acontece que, mal gerido, impede-nos de concretizar muito do nosso potencial, limitando-nos.

22 de fevereiro de 2017

Escolhas

Ainda a  propósito de cabelos brancos...
Comentei aqui que os estou a deixar crescer à vontade, não por achar que vou ficar linda (serei a mesma pessoa de sempre, mas com alguns cabelos brancos), mas porque o cabelo precisa de descansar (não é a cor do cabelo que nos define). 
Muitas amigas minhas pintam e ficam lindas assim, é assim que se sentem bem. Algumas apoiam a minha decisão, mas confessam não ser essa a sua onda. Outras, dizem-me para não deixar aparecer os brancos, porque na minha idade, dão um ar desleixado. Eu sei que mo dizem por bem, e não como uma crítica. 
Também eu, só porque decidi deixar de pintar por uns tempos, não quero passar a ideia de : " esta é a verdade, eu é que estou certa e o cabelo pintado é falso"

21 de fevereiro de 2017

Passeio marítimo Oeiras

Um final de tarde como há muito não tinha, e que serviu para recarregar as baterias. 
Passear, fotografar, vadiar sem pressa, nem hora marcada. 
Sentir que finalmente a Primavera está a chegar, e com ela dias de sol, dias maiores.



15 de fevereiro de 2017

O Amor

Dizem-nos que o amor é eterno. Que quando é amor, é para sempre. Contam-nos histórias de príncipes e princesas com final feliz, mas não explicam que esse final, é apenas o princípio. O ponto de partida para uma jornada cheia de curvas e contra curvas, de subidas e descidas, rectas intermináveis, numa desordem que nos atropela.
Induzem-nos a acreditar que basta gostar e ser gostado. Que nessa jornada o amor é a constante, mesmo quando tudo o resto são variáveis desgovernadas. Pode ser, mas não chega.

13 de fevereiro de 2017

Lion - A longa viagem para casa

Na passada sexta-feira fui ao cinema com duas amigas, e vi um filme extraordinário.
A S. escolheu, e eu confesso, não sabia nada sobre o que ia ver e resisti um pouco à ideia. Tentei convencê-la a ver o tão comentado La La Land, mas ela, apesar de adorar musicais não foi na conversa, e ainda bem! O filme, conta a saga de um menino indiano, que devido a uma série de acasos infelizes se perde da sua família. Depois de algumas peripécias (não vou contar), tem a sorte de ser adoptado por um casal Australiano.

12 de fevereiro de 2017

Outras sombras de grey

Quem me conhece e quem me lê, sabe das minhas desventuras capilares. Sabe que depois de (literalmente) ter esturricado o cabelo, procurei soluções, que, apesar de terem resultado numa pequena melhoria, nunca resolveram o ninho de ratos em que ele se tornou. Por isso em Dezembro (altura em que precisava de pintar de novo)  decidi dar-lhe descanso. Ou seja, decidi que à medida que deixava a permanente horrorosa desaparecer, deixaria também os cabelos brancos aparecerem. Uma espécie de detox capilar.
Não é uma decisão fácil, pois quando nasceu o meu filho, fui invadida por uma horda de brancos tal, que optei pela coloração definitiva. Facilitou-me a decisão encontrar uma solução sem amoníaco. 
Confesso, que durante alguns anos, apesar da grande seca que era ir quase mensalmente pintar o cabelo, a coisa até teve alguma graça. Experimentei vários tons, algo que nunca tinha feito antes, dando largas à necessidade pontual de mudança, que algumas de nós sente, relativamente ao cabelo. Mas isto cansa. Esta dependência começa a complicar os nervos, e a verdade é que à medida que os anos vão chegando, o cabelo fica mais frágil tornando-se mais difícil mantê-lo saudável.   
Até ao ultimo desaire, achava que nunca mais voltaria a ver a a cor natural do meu cabelo.

9 de fevereiro de 2017

O leitor abstrato

Há momentos em que dou por mim, a olhar para a sequência de eventos que define a minha vida, como se de literatura se tratasse. Como se eu fosse um leitor emproado e sabichão, a analisar uma personagem que (ainda) anda meio perdida nalguns capítulos do livro que está "a ler". 
Como leitor, critico o autor, como se soubesse melhor, o rumo que os personagens deveriam tomar. Porque não faz sentido, porque ninguém no seu "perfeito juízo" deriva desta forma. E nesta posição, espanto-me com o absurdo que são, algumas das decisões tomadas, pelo principal personagem desta história (a minha).
Olho para o enredo onde me movo, para as interacções com os outros, e conforme a situação em causa, apetece-me intervir e gritar, “não faças isso!” , “Vai lá, e resolve tudo de uma vez…” e por aí fora. Como se fosse o mais lógico, e só eu (como leitor) o percebesse. Como se pudesse impedir o principal personagem (eu) de cometer erros, que parecem básicos a quem está de fora.