29 de fevereiro de 2016

Palavras

"Perdi muito tempo até aprender que não se guarda as palavras, ou você as fala, as escreve ou elas te sufocam."
Clarice Lispector


24 de fevereiro de 2016

Orgulho de mãe

Coragem é ter 6 anos e levar duas vacinas seguidas sem fitas.
Sim, porque quando lhe deram a segunda, ainda tinha a primeira a latejar. 
Além disso a segunda vacina era subcutânea (a mais dolorosa de todas, segundo a enfermeira) e demorou 10 segundos a injectar.
Ver o meu filho sentado na marquesa com aqueles braços magrelas cruzados à frente do peito, determinado em ser um verdadeiro super-herói, a contar os segundos até a enfermeira acabar de dar a segunda vacina, encheu-me de orgulho! (e de vergonha... de todas as fitas que eu já fiz na mesma situação…)
Nem um grito, nem uma lágrima. “Porque o Darth Vader também não chora.”
Ele foi mais corajoso do que eu alguma vez fui.

22 de fevereiro de 2016

As crianças é que tinham razão

Tenho a sorte de ter amigos com filhos, que moram mesmo aqui ao lado. 
Digo sorte mas é mais que isso, porque estando tão próximos, para o meu filho é como se fossem irmãos. Os miúdos se pudessem estavam sempre juntos, e é principalmente ao fim de semana que lhes fazemos a vontade. Este domingo não foi excepção. 
Nós os adultos, estávamos com vontade de sair de casa, olhámos para o céu e apesar de ser evidente a chuva que se avizinhava, insistimos em "apanhar ar", sair para qualquer destino onde as crianças pudessem estar à vontade, enquanto ficávamos tranquilamente a observá-los, agarrados a uma bela caneca de chá. 
Vamos aqui, ali, acoli... Na verdade não nos conseguíamos decidir pelo o sitio ideal.

21 de fevereiro de 2016

Os oito odiados

Quentin Tarantino é talvez o único realizador de filmes sangrentos que me leva ao cinema. Fui ver o que dizem ser o oitavo filme dele, e não decepcionou. Não sendo (na minha opinião) o mais brilhante, continua a ser um filme com a sua marca. O sarcasmo, a violência em excesso, o politicamente incorrecto e o sangue. Sempre demasiado sangue.
Mais um filme que mostra seres humanos conduzidos pelos seus instintos mais primários, o medo, a ganancia, o amor e o ódio, numa trama de aparentes acasos improváveis. 
A  banda sonora do Ennio Morricone, é aqui o casamento perfeito, transformando cenas de aparência banal num crescendo dramático, obrigando-nos a antecipar o que sabemos ser inevitável.
A simplicidade de um filme quase teatral num mundo de efeitos especiais, precisa de outros atributos para captar a atenção. Aqui tudo isso foi magistralmente conseguido através de actores escolhidos a dedo, diálogos "quase" declamados, histórias dentro da história, e um fio condutor em forma de narrador.

18 de fevereiro de 2016

Insiste ou desiste

Num embate, há quem desista, e  há quem insista. 
Dão-se o tempo necessário para respirar, levantam-se, olham em volta, e fazem uma escolha. 
Pelo mesmo caminho ou por um caminho diferente, com a lição aprendida ou não, (que nem sempre há uma lição a aprender), seguem em frente. Podem continuar com mais ou menos confiança, mas continuam, que nisto dos falhanços dá para os dois lados. 
A forma como cada um lida com uma contrariedade tem tanto a ver com aquilo que é, como com aquilo que quer ser. E o resultado, por ser uma combinação dessas duas parcelas, é imprevisível.
Desta forma nem sempre o que não nos mata nos torna mais fortes, mas certamente nos torna diferentes. Deixa marcas que nos recordam (para o bem ou para o mal), que somos frágeis, falíveis, imperfeitos. Em suma, humanos.

14 de fevereiro de 2016

Carol

Tenho andado afastada das salas de cinema. Puro desleixo, e digo desleixo porque os filmes aparecem, eu anoto mentalmente os que quero ver, e invariavelmente eles deixam a minha sala "do costume", depressa demais. Este fim de semana, não dei tréguas. Iria independentemente de qual fosse o filme, (havia vários promissores). Carol foi o escolhido, simplesmente porque a amiga que me acompanhou, me disse que o queria ver. Concordei, a Cate (Blanchett) não costuma desapontar, e sendo um filme sobre mulheres e sobre o amor, despertou-me a curiosidade. Foi uma boa escolha.

13 de fevereiro de 2016

O amor é...

Não sou muito boa a escrever sobre o amor na sua forma mais romântica. 
Gosto de ler quem o sabe definir na perfeição, emociono-me a assisti-lo no dia a dia nas suas múltiplas formas, mas eu tenho dificuldade em discorrer sobre ele. Mas gostava.
Gostava de poder aqui, escrever sobre ele de forma a inspirar-vos tal como me inspiram outros que leio. 
Aspiro a conseguir um dia, escrever de forma magistral sobre o amor que arrebata e nos tira o ar, que nos faz sorrir quando nos permitimos pensar nele sem reservas nos intervalos da vida, que nos aquece e nos arrepia. Conseguir traduzir a meros caracteres esse amor inteiro que nos dá abrigo, que nos completa em toda a sua existência e sem o qual não nos imaginamos a viver realmente. 
Não me reconheço ainda esse talento. Seja como for, isso não significa que não seja romântica, que sou. 
Sou romântica de uma forma que parece não combinar com a voracidade consumista dos nossos dias. 
Não me diz nada um ramo de flores comprado na florista da esquina, sem cheiro e enfeitado com corações artificiais. 
Não me toca por aí além um cartão vermelho com uma frase sem originalidade e que não foi escrita para mim. 
Não me entusiasma um presente, só porque foi caro. 

8 de fevereiro de 2016

Domingo em Belém

Porque passear também é mostrar um bocadinho da nossa história aos nossos filhos. 

Hora impropria para fotografar, luz complicada, maquina de bolso. 
Ainda assim quis deixar aqui o registo, porque apesar das filas, das queixas das crianças sem paciência para esperar, das 93 escadas em caracol para subir até à torre, são tardes assim que lhes ficam na memória para sempre. 



3 de fevereiro de 2016

Sol de pouca dura

Regressar ao ginásio após 3 meses de balda não tem sido tarefa fácil. 
Ou porque sim, ou não, tenho faltado demasiado. E se algumas vezes (poucas) não posso mesmo ir, a verdade é que na maioria, não vou por falta de organização da minha parte. Simplesmente, porque não tenho assim tanta vontade. 
E faz-me muita faltaPara ganhar a energia extra que o inverno me tira, para não me entregar à preguiça natural dos dias frios, para vencer as insónias, mas principalmente para exorcizar um certo desânimo que por aqui tem pairado.