16 de outubro de 2015

Beijos e abraços

O meu filho acha que se pode esquivar de tudo o que não lhe interessa, com beijinhos e abraços.
Seja da refeição que não lhe agrada, do banho, do castigo que fez por merecer. 
Se lhe digo de forma mais ríspida, que  tem de fazer sem demora, algo que está a protelar, pergunta se me pode dar um beijo, ou então, pede-me um abraço apertado.  
Conheço-lhe o jogo. Por fora faço cara séria, mas por dentro sorrio, e aproveito o momento de doçura.
Até já tentei dizer que não. Meti a minha cara mais chateada e disse que nem pensar. Mas ele (é a coisa mais teimosa que já vi), não se cala até eu ceder. “È só um abraço”, diz.
Bem sei  que só me está a empatar, a tentar minar a autoridade. Mas que mãe consegue negar um beijo a um filho? Eu não.  
Mesmo depois de um castigo, ainda hoje me pede um beijinho para passar “o triste”. E eu dou…

12 de outubro de 2015

As primeiras manhãs de chuva

Há, e tal... o Outono é tão fofinho, e tem cores tão giras, e apetece é chá e bolinhos caseiros ... Tudo verdade. 
Mas nem tudo são flores, ou melhor, folhas. As primeiras manhãs de chuva, deixam-me sempre em ponto de rebuçado, mesmo antes de sair de casa. Na minha cabeça, a mudança de estação ainda é uma coisa meio romântica enquanto a chuva não aparece. Quando acordo, olho pela janela e vejo que está a chover, desoriento-me. Fico por uns largos minutos sem saber o que vestir, e o que calçar. Da minha mente já se varreram todas as combinações que funcionavam no ano anterior. 
Fico desaustinada. Ainda não está frio suficiente para botas, mas a sandálias já estão completamente fora de questão.
No roupeiro, tudo parece sem graça, ou demasiado fresco. Olho para a gaveta das malhas e sei que ainda é cedo.
Namoro os vestidos, mas não me consigo (ainda) enfiar nuns collants, e para mim, está fora de questão sair de botas, vestido esvoaçante, e perna ao léu. Sim, sim, nunca serei uma miúda fashion... 

11 de outubro de 2015

Valente e inspirador

As crianças nunca param de nos surpreender.  
Eu passei 5 dias a fazer filmes na minha cabeça. A ver cenários de horror na cadeira do dentista. A tentar convencer-me (sem sucesso), que estava a exagerar. 
Ainda tenho na memória a primeira consulta do meu filho, no oftalmologista. Sem entrar em pormenores, posso dizer que não foi bonito de se ver. No fim, a médica desistiu e pediu-nos para lá voltar dali a uns meses. Percebi que com ela, não valia a pena voltar a tentar. Porque a experiência ensinou-me, que se o meu filho não cria empatia com o médico, não colabora. Nada. E isso, em determinadas circunstancias pode ser desesperante. Quando é possível, mais vale mudar de médico.

8 de outubro de 2015

O meu filho é um tubarão!

O meu filho chega da escola todo orgulhoso e diz, "mãe tenho um dente a abanar!".

Primeiro baque: "Já !!!
Queria marcar uma consulta de dentista de rotina, antes de iniciar a muda dos dentes, para ver se estava tudo bem, e para desmistificar. Mas Achava que ainda era muito cedo. Tarde demais. 

Segundo baque : "Favolas a caminho!"
Olho para ele e imagino-o com aquele ar com que todos ficam nesta altura, desdentados, com umas "favolas" enormes, bem... não me orgulho de o dizer mas... muito pouco fofinhos. Tenho três irmãos mais novos e lembro-me que era na muda dos dentes que eles passavam para a fase de miúdos desengonçados, parecia-me que só tinham braços, pernas e aqueles dentes estranhos... Posso estar enganada, mas parece-me a mim que com as raparigas esta transição é mais suave. 

5 de outubro de 2015

Não faz sentido

Esta tarde uma amiga disse-me que estava gira. Prontamente respondi, que não, que me sentia um trapo.
Enquanto o dizia pensava na pilha de roupa largada em cima da cama nessa manhã, porque parecia que nada caía bem... 
Pouco tempo depois, veio-me de novo à cabeça, esta imagem de mim, a contestar o elogio, e não fez sentido
Tinha sido elogiada, num dia em que a minha auto-estima não estava por aí além, mas em vez de me sentir bem, agradecer, e aceitar que outra pessoa me estava a ver de maneira diferente, discordei. Como que a dizer, que não, que o dia não estava espectacular, que aquele sol que ela via, estava ali só por um segundo, porque na verdade tinha chovido, as nuvens estariam de volta em breve, ela é que teve sorte de olhar no único momento em que o sol espreitou. 

4 de outubro de 2015

Votar

Hoje fui votar.
Saí de casa, apesar de não me apetecer mesmo nada, e fui exercer o meu dever cívico. Fui, porque ainda tenho a convicção que devemos usufruir deste privilégio que os nossos pais conquistaram para nós. Fui porque apesar de tudo, não me quero juntar aos que encolhem os ombros e dizem que não vale a pena o esforço. Fui para mostrar que me importo. Nunca, em muitos anos a repetir este ritual, me senti tão indecisa. Olhei para o boletim e quase o usei para deixar um recado. Não o fiz. o bom senso falou mais alto. Estaria simplesmente a escrever para a meia dúzia de pessoas, que como eu estavam ali para que a democracia falasse mais alto. Preferi que o meu voto contasse. Preferi votar por exclusão de partes, mas votar. Estou neste momento a ouvir os resultados, não estou surpreendida. E é isto, que sobre este tema, outros mais dotados falarão até já não os poder ouvir.  

Hard Rock Café Lisboa

Quando nasce um filho, a nossa vida muda, nós mudamos também. Cliché, eu sei. 
Só que ás vezes, exageramos. 
Sem darmos por isso, dividimos o nosso mundo em dois, os sítios onde podemos levar as nossas crianças, e os outros. 
É apenas normal, afinal o instinto protector faz parte da bagagem de mãe. O que não é assim tão normal é excluirmos determinados locais, apenas por que sim. Sem sequer lhe darmos uma oportunidade. E eu fiz isso com o Hard Rock Café.

1 de outubro de 2015

Em modo acelerado

Ontem o pai teve um imprevisto.
Num dia que não foi fácil, saio do trabalho a correr para ir buscar o meu filho à escola.
Dou-lhe o lanche em modo "despacha-te", levo-o comigo a uma formação (das 18.30 ás 20h), que não quero faltar, e digo-lhe que vai ser divertido...
Chego atrasada, peço desculpa por interromper. O professor e os colegas compreendem. 
"Mãe não é divertido..."
"Mãe, quando é que vamos embora?"
...