5 de junho de 2015

Desempoeirar

Quando a cabeça anda cheia e o coração inquieto, arrumo.
Arrumo gavetas. Reviro-lhe as entranhas. Viro papeis como se fossem frangos, fazendo-lhe em diagonal, uma leitura frenética para avaliar a sua real utilidade. Raramente a têm, acumulo demasiados.
Arrumo a secretária. Na esperança que um tampo limpo e desimpedido, me dê um horizonte mais claro.
Arrumo o roupeiro. Organizo cabides, roupa por cores, ou função. Rejeito finalmente roupa que não uso, mas que um dia “poderia voltar a usar”.
Desempoeiro recantos, ganho espaço, arejo a casa, porque nesses dias, tudo o que não tem uma função definida me irrita.
Atrás de mim ficam caixotes e sacos com tralha acumulada e sem préstimo…

… que revisito no dia seguinte para recuperar peças que lá foram parar, por excesso de zelo…
Porque nestas fúrias em busca de clareza, há sempre danos colaterais.




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