31 de maio de 2015

Maioridade

Neste ultimo dia de Maio a minha sobrinha mais velha fez 18 anos.
E eu ali, ao lado dela numa conversa intima sobre sonhos, desejos e planos para o futuro, por momentos regressei aos meus 18. À minha visão ingénua e pura do mundo. Aos meus próprios anseios. Consegui visualizar momentos exactos de decisões, que mudaram completamente o meu rumo. Ela muito mais que eu nessa altura, sabe o que quer. Vi nela uma maturidade serena, que me fez acreditar que a aventura que agora inicia, tem tudo para correr bem.

30 de maio de 2015

Cerejas... das boas

Adoro cerejas. 
Esta é mais uma fruta que me remete à infância. 
E por gostar tanto delas, não as como, se não forem boas. Se não me trouxerem o sabor a sol, o sabor de casa. 
O meu avô materno sempre as teve no pomar da quinta. Cerdeiros (nós não lhe chamamos cerejeiras), todos os anos carregadinhos de cerejas, que vendia ainda na árvore. 

Na varanda da casa da quinta, havia um buraco por onde crescia um cerdeiro. Em boa verdade o cerdeiro já la estava antes da varanda, e por isso quando a varanda foi construída, ele deixou-o ficar. "Para que os netos chegassem ás cerejas", dizia. 
E assim foi.
Cresceu e engrossou com os anos, e sempre me lembro de as colher e comer mesmo ali. Ficava-mos em pé e era só esticar os braços. Parecia que estava-mos cara a cara com a árvore, olhos nos olhos com a copa frondosa, coberta de verdes folhas e cerejas vermelhas escuras. Era como se fizesse parte da família, como se fosse uma árvore de estimação. Afinal quase "vivia" dentro de casa. 

29 de maio de 2015

Dois pesos e duas medidas

Descrição de uma situação real, que me complica os nervos, e na qual vou usar nomes fictícios.
O Manuel, há uns 6 ou 7 anos começou a praticar desporto ao fim de semana. Chamemos-lhe golfe.
A Maria há um ano decidiu que também lhe fazia bem ter um hobby para arejar a cabeça, e começou a negociar com o marido alguns dias para poder também ela, praticar um desporto de fim de semana. Chamemos-lhe canoagem.
Até aqui nada de surpreendente, até porque a combinação funciona entre os dois. Umas vezes vai ele outras vai ela.

27 de maio de 2015

Está explicado

Trecho de uma conversa com o meu filho, a propósito de andar como os joelhos esfolados de tanto correr, e por vezes cair:

“filho, tens que ter mais atenção quando corres, não podes andar por aí, sempre a correr à maluca.”
“Sabes mãe, não sou eu. Há bichos pequenos no chão que nos fazem tropeçar e cair.”
“Nunca os vi filho, como são esses bichos?”

“são pequeninos e invisíveis…”


26 de maio de 2015

Dia da minha Mãe

Estive sentada a olhar para este espaço em branco, vários minutos, a listar mentalmente o que me tentaste ensinar ao longo destes anos. Pensei em deixá-lo aqui escrito para memória futura. Mas a verdade é que desses ensinamentos de mãe, alguns  aceitei, e outros ignorei por achar que não me serviam.
Nesta ânsia de ser diferente, muitas vezes cometi erros, e outras consegui caminhar no sentido certo, o da minha própria identidade. E foi nesta rebeldia que cresci como sou. Que compreendo como somos mais parecidas do que julgava. 
Dou por mim, agora também como mãe, a repetir frases e actos que em adolescente, criticava em ti sem dó nem piedade.
Não fui uma filha fácil.  

25 de maio de 2015

De azeitão ao Portinho da Arrábida

Organizada por um amigo, este domingo fiz mais uma caminhada, desta vez na serra da Arrábida.

Foi todo um evento de tirar o fôlego:
A subida acentuada, a descida vertiginosa, a paisagem deslumbrante.
O calor abrasador que se fez sentir depois do almoço...


23 de maio de 2015

Solar

Quando me perguntam se sou mais Lua ou mais Sol, fico na dúvida, porque para ser sincera sou de Luas…
Uns dias mais solar, outros mais lunar.Temperamental. Ou como alguém uma vez me disse, "típica de Gémeos".
Deixando a Astrologia de lado, a verdade é que tenho momentos de luz pura. Alegria. E outros, onde prevalece o cinzento pardo. Melancolia. Estados que podem alternar várias vezes num mesmo dia.
Neste ano que passou propus-me fazer crescer o meu lado Solar. Porque quero acreditar que há coisas que podemos melhorar.  E uma delas, é a maneira como lidamos com o que se passa à nossa volta.

22 de maio de 2015

42 já? parecem 21...


Aos 40, fiquei à espera de uma festa surpresa, mas a coisa não se deu. 
Aos 41 andava tão chateada com isto e aquilo que nem queria ouvir falar de festas.
Hoje faço 42, e já aprendi finalmente o que devia saber há muito tempo:

19 de maio de 2015

Caminhada em Penacova

Foi este sábado, e apesar de atrasado não quero deixar de fora mais um registo. Porque parte do gozo é também a partilha.

Quando me inscrevi nesta caminhada, imaginei-me logo no cenário idílico do Mondego.
Margens verdejantes, água cristalina, e o tão aclamado choupal. A realidade não me desapontou.
Fui sem saber previamente o roteiro, apesar de saber qual seria o destino. Não é que não tenha a informação disponível, mas prefiro assim. Ser surpreendida. Nunca saber o que me espera, e usar a imaginação para antecipar o que poderá ser.
Raramente acerto, mas desta vez foi tudo o que tinha imaginado e mais. Muito mais.

18 de maio de 2015

18 de Maio

Já aqui escrevi sobre dois dos meus irmãos. Hoje é O dia do terceiro.
Num grupo de três, não podia ser mais afortunada, cada um deles é completamente diferente do outro e isso valoriza todo o conjunto, complementando-se em forças e fraquezas.
Nenhum de nós se parece entre si. E isso é verdadeiramente espectacular. Juntos reunimos uma diversidade que torna qualquer reunião familiar uma verdadeira animação. 

Este irmão, que quero celebrar hoje, foi muito desejado pela minha mãe. Lembro-me de a ver “pressionar” o meu pai de todas as formas que sabia porque queria mais  um filho.
Porque já tinha dois “quase criados”, porque já tinha saudades de ter um bebé no colo, porque não há dois sem três. 
Porque sim… E uma mulher quando quer um filho, não desiste. E ainda bem.

17 de maio de 2015

O que realmente importa

Quando alguém mais próximo morre, pensamos na nossa própria mortalidade. 
É talvez um acto egocêntrico, mas acredito que faz parte da natureza humana. 
Perante este olhar de frente para o inevitável, cada um de nós encara o que daí resulta, à sua maneira. Por vezes, percebermos finalmente, que de tudo o que temos, os afectos e as nossas pessoas são o que realmente importa. Que tudo se resume ao que fica escrito no coração de cada um de nós. Que só o Ser é permanente, o Ter passa, muda, fica para trás.
É pelo que somos que seremos recordados. Esse é o único legado. 

14 de maio de 2015

Recorrente

Há vezes, em que quero muito.
Quero tanto, que quase todos os sonhos sonhados me parecem possíveis. Nestes momentos só vejo caminhos. Soluções.
Todos os ses se transformam em certezas, sem planos, sem rascunhos, sem ensaio geral. 
Tudo faz sentido. 
E eu sou ousada. Podia ser aquela personagem que imaginei para um livro que vale a pena ler. Um alter ego desmedido.
À frente tudo é luz, e avanço sem hesitações. Primeiro devagar e depois cada vez mais depressa. 

11 de maio de 2015

Causa ou consequência

É quase impossível não gostar de quem nos faz rir.
Não é por acaso, que quando se pergunta a uma mulher o que procura num homem, uma das respostas mais comuns, seja: 
"que me faça rir".
Cada uma de nós, tem aquela lista de requisitos, que pode ser mais ou menos longa, que vai variando, que puxa mais ao físico ou mais à personalidade. Mas em todas elas (quase) sem excepção vem a capacidade de fazer rir.
Rir é essencial ao bem estar. Rir relaxa e descontrai, liberta endorfinas que nos dão prazer e aliviam o stress. 
Rir pode não ser sinonimo de felicidade, mas é com certeza o reflexo de um momento feliz. 

10 de maio de 2015

Fábrica da Pólvora

Queria voltar de novo à Fabrica da Pólvora de Barcarena faz algum tempo, desta vez para a fotografar. Hoje foi o dia.
Na minha cabeça imaginava que todo aquele amarelo, em contraste com o verde natureza e o azul céu, era capaz de dar bom resultado. Penso que não me enganei. 

9 de maio de 2015

A sério

Nos últimos anos tenho levado a vida demasiado a sério, e isso cansa. ás vezes parece que carrego o (meu) mundo ás costas sozinha. Um mundo de responsabilidades, horários e tarefas a cumprir. Quando se caminha sem rede, é difícil deixar andar. Mas tenho que aprender a fazer intervalos, a arranjar tempo e espaço para o inesperado, o "absurdo" e o "ridículo".  
Preciso de me rir mais, nem que seja de mim. Preciso de gargalhar até ficar sem ar, fazê-lo sem pudores ou medo de ser mal interpretada. Preciso de aprender a despir o fato de "adulta" e regressar à essência da simplicidade infantil. Preciso de me dar aos prazeres inocentes desta vida, sem culpa, como uma criança.
Preciso de regressar ao básico. 
   

7 de maio de 2015

Perigo

Há momentos em que "adivinhamos" o perigo.
Por vezes sem o sabermos, estamos perante situações potencialmente perigosas, e há que algo nos adverte.
Pode ser muito discreto. Um arrepio na pele, um eriçar na nuca, uma náusea, uma sensação de que algo está fora de contexto.
Muitos de nós, quando isso acontece, puxam ao lado racional e não havendo razão palpável, ignoram.
Outros, aceitam sem questionar e mudam de direcção, de comportamento, de atitude. Mudam qualquer coisa.
Já senti isso algumas vezes na minha vida. Nem sempre lhe dei importância, e devia ter dado. Tinha-me poupado a alguns dissabores.

4 de maio de 2015

Eu e o meu mau feitio

Acho giro e fofinho que na escola as crianças façam a prendinha do dia da mãe (pai). 
Ainda me lembro quando era eu, o cuidado com que fazia, ilustrava e escrevia o postal (ou outra lembrança qualquer). Ficava numa grande excitação durante vários dias, só para ver a cara deles ao receber a "surpresa". 
Mas os tempos mudaram (ou então não), e hoje em dia a prendinha já não chega. Algumas escolas organizam actividades. 
No caso da nova escola do meu filho, a meio da manhã. 
E eu acho que é de louvar todo o trabalho que as educadoras têm para organizar todo um rol de actividades. 
Por respeito e consideração tento entrar no espírito. Mas depois de todo um conjunto de actividades físicas, encarar o trabalho acumulado, a uma segunda feira, só ás 11.30 da manhã, completamente encharcada, e descabelada não é fácil. 

Os despojos do dia

Neste dia que se imagina doce e materno, neste dia que se idealiza com pequeno almoço na cama depois de abraços pequeninos, beijos melados de filho, com prendas feitas à mão... acabou comigo ... chamemos-lhe eufórica.

O filhote tinha uma festa de aniversário durante a tarde, e nós fizemos aquela pergunta que se faz quando se está sem filhos durante umas horas: "o que podemos fazer que seria impossível na companhia do filhote?" Depois de algumas ideias concordámos numa. A prova de vinhos no Palácio Marquês de Pombal. 



3 de maio de 2015

Mãe todos os dias

Há uns anos atrás, quando eu tentava engravidar sem sucesso, tudo à minha volta me fazia crer que essa era a única maneira de ser mãe. Engravidando. As restantes opções seriam só pálidas tentativas.
E eu acreditei. E eu sofri. 
E considerava alternativas, mas sempre como uma segunda escolha distante, como se outra alternativa fosse uma imitação desesperada do original.

2 de maio de 2015

Santa Cruz

Bons amigos, boa conversa, boa comida.
Paisagem de tirar o fôlego. Carreiros que apetece explorar, caminhos que apetece seguir.
Onde o som do vento e do mar fica em harmonia com as gargalhadas das crianças.
Um daqueles dias sem horas, sem planos, que corre ao sabor do vento. 
Dias assim são dias que se desejam intermináveis. Que apetece repetir.


1 de maio de 2015

Maio mês das flores

Maio é O mês.
O da minha mãe, o meu, o mês em que a minha vida mudou para sempre com o principio do meu amor maior. 
Hoje é para mim um dia especial, um dia de muita saudade, um dia com o coração cheio da minha avó Adília.