30 de março de 2015

Minas de São Domingos

Este Sábado foi dia de mais uma caminhada. 
Desta vez num trilho ao lado das antigas minas de São Domingos, em pleno coração alentejano.
A saída de Lisboa ás 6.30 da manhã obrigou-me a acordar ás 5h, uma hora bastante impropria para quem gosta de dormir até tarde ao fim de semana. Mas sair de casa tão cedo anuncia sempre um dia cheio de aventuras que começa com o nascer do Sol.
Gosto disto. Já o disse, várias vezes. Estas caminhadas levam-me a sítios que de outra forma nunca me lembraria de visitar. Sítios que vale a pena conhecer, com calma, neste ritmo de caminheiro.

27 de março de 2015

Hoje a esperança perdeu

Morreu
A noticia caiu como uma bomba.
Depois do choque e burburinho inicial, o silencio abateu-se como um manto denso, pegajoso e cinzento, aprisionando-nos o pensamento fazendo-nos sentir pequenos nadas.
Ouço à minha volta o som das teclas dos computadores. Ruídos secos que se tornam estridentes, quase obscenos. 
O olhar de cada um de nós encerra pensamentos íntimos, quem sabe se de pesar ou medo.

25 de março de 2015

Humildade

Ontem a vida decidiu dar-me uma lição de humildade. Mostrou-me que podemos estar certos e mesmo assim errar. 
Porque não sabemos tudo. 
Ontem o meu filho passou o fim da tarde isolado na Urgência com 39º de febre, e eu com o coração apertado por não saber muito bem o que era Escarlatina. 

24 de março de 2015

Até parece que foi de propósito...

Nada como ter uma teoria bonitinha, para comprovar da pior maneira, que isto da pedagogia não é nada fácil.
E sim, dou uma no cravo e outra na ferradura. E ás tantas não. Que eu já sabia como custa fazer o que está certo, quando o que está certo não é aquilo que o nosso filho quer.
Raios, como é difícil!
É tão mais fácil, chegar a casa com um Lego novo e vê-lo saltar de alegria! É tão mais fácil, fazer-lhe as vontades e vê-lo feliz.

23 de março de 2015

O não

Amamos os nossos filhos incondicionalmente. Sem filtro, sem barreiras, sem esperar nada em troca.
Ao ponto de prescindir de nós por eles, e isso é só natural. Está gravado no nosso ADN.
Não contesto o amor, nunca o faria. Mas... e quando este amor tolda o nosso bom senso?
Quando por ele, nos é impossível dar um não, naquele momento em que o sim que os faz felizes, só lhes é prejudicial?
O que fazer quando o amor nos cega, e nos impede de ver o óbvio?
Já presenciámos de certeza isto nos outros, no vizinho, no familiar, no amigo, e tivemos por vezes vontade de comentar ou interferir. Porque quem está à distância, tem a ilusão que é simples de resolver. 
Mas quando se trata do nosso filho... as dificuldades agigantam-se. O coração fala mais alto e a razão fica surda.

22 de março de 2015

Estufa fria

Ontem para sair de casa e celebrar um dia de tantas coisas (da árvore, da poesia, do sono), aceitei a sugestão da M. e fomos todos juntos com os miúdos, conhecer a Estufa fria
Mesmo no coração de Lisboa, era um local que estava desejosa de conhecer há uns tempos, mas ia adiando, nem sei bem porquê. Gostei e recomendo. É perfeito para miúdos e graúdos. O local é bonito, calmo e energizante.
É um daqueles sítios que se pode tirar da cartola quando o estado do tempo é incerto e não sabemos onde levar as crianças. 
É fresco se estiver muito calor, abrigado se estiver frio. 
Ontem tinha várias actividades para animar as crianças e os adultos, e isso foi uma mais valia. Havia para todos os gostos, musica, meditação, poesia , leitura, ..., era só escolher.
Foi uma tarde muito bem passada.

Partilho aqui algumas fotografias. 
Se ainda não conhecem, pode ser que sirvam de incentivo a uma visita.



21 de março de 2015

Primavera

E porque hoje começa a Primavera, e ela é simbolo de luz, cor, vida e esperança espero que sirva de inspiração para retomar planos, concretizar desejos, transformar sonhos em realidade.


19 de março de 2015

Pai

Acho que nunca dei o devido valor ao meu pai. E ele nunca o exigiu. 
De tudo o que fez por nós, nunca, nem uma vez lhe reclamou crédito. E fez muito, porque a vida dele não foi nada fácil.
Fui durante muitos anos a menina do papá. Segundo a minha mãe, ainda sou.
Talvez por ter sido a primeira filha, talvez por ser a única rapariga de quatro irmãos. 

17 de março de 2015

Porque sim

Hoje perguntei a mim própria várias vezes, porque tenho mantido o blogue anónimo. 
É verdade que em alguns dos meus momentos de reflexão, escrevo sobre fragilidades que por norma queremos esconder. 
Mas em dias menos bons poder fazer essa purga é terapêutico. 
É também verdade, que nos dias que correm a nossas privacidade já é tão diminuta, que escancarar a porta parece absurdo. 
Mas um blogue, é só uma pequena janela. São fragmentos de estados de alma. E um fragmento não define de maneira nenhuma o todo. 

16 de março de 2015

Escrever Fotografar Sonhar

Se há um punhado de anos me perguntassem se sabia o que era um blogue, provavelmente diria que sim, pois o conceito não me era estranho, mas na realidade não tinha noção, pois nunca tinha lido nenhum.
Esta ignorância acabou no dia em que a minha amiga Marta me disse que tinha um blogue, há mais ou menos três anos.
Eu já nem me lembro o que lhe disse, mas sei que só passado uns tempos fui ver do que se tratava. Achei giro. Comecei a ler pontualmente por curiosidade e para saber dela, porque com o nascimento do meu filhote nos víamos menos vezes, e gostei
Nessa altura, só lia o blogue dela,( e raramente), porque o meu computador era velho, lento e obrigava-me a ficar isolada na outra ponta da casa. 

15 de março de 2015

Linhas e pontos de luz



Talvez inspirada pela exposição do Museu da Electricidade deixo aqui fotografias um pouco mais gráficas.




"Esta não valeu"

Ás vezes era tão bom que na vida se pudesse voltar atrás e repetir tudo de novo. Como quando éramos crianças e falhávamos o remate num jogo de futebol, ou os dados num jogo de tabuleiro. Dizíamos "esta não valeu" e repetíamos como se nada fosse. 
Que bom que era se a vida nos desse oportunidades destas. 
Quando alguém nos magoasse ou magoássemos alguém, poder dizer, "agora não valeu, vamos repetir outra vez". 
E ficava tudo bem.

13 de março de 2015

O bicho

Ontem fui finalmente atacada pelo bicho.
Este Inverno parecia que me escapava sempre entre os pingos da chuva. Ouvia falar que ele andava por aí, que já tinha feito baixas, via cair alguns conhecidos à minha volta, e eu nada. Inexpugnável. Não entrava nada. Colegas a tombar um a um, famílias inteiras a sucumbir, e eu para aqui a sentir-me invencível.
Até ontem. 

11 de março de 2015

Pôr o dedo na ferida

O que farias se soubesses que serias bem sucedida?
Esquece o medo do fracasso e faz. O pior que pode acontecer é falhares. 
Mas afinal, falhar é assim tão terrível? 
Não nos ensina a vida, que é no falhar que se aprende, que se enrijece para a próxima tentativa?
Não é, viver no medo de falhar, muito pior? Não é muito mais terrível, não viver de todo?

10 de março de 2015

Entre a Adraga e a Praia Grande

Caminhar. Passo a passo, cabeça erguida, olhar em frente. Abrir os braços ao Sol e deixá-lo entrar. Absorver cada partícula e equilibrar finalmente este déficit de energia que o corpo acusa, depois de um longo Inverno.

Respirar. Inspirar fundo e oxigenar cada recanto, cada célula do nosso corpo, como se dessa forma pudéssemos exorcizar todo o lixo que carregamos connosco. Inspirar até ao limite, até ficarmos tontos.

9 de março de 2015

Agir em vez de reagir

Um pouco antes da consulta com o médico de olhos cor de céu e de mar, a calma que me tem acompanhado neste ultimo mês começa a fraquejar. Preparo mentalmente o discurso optimista. Aquele que afirma "que eu sempre soube que estava tudo bem, que não passa tudo de um alarmismo cauteloso". Aquele que tenho recitado como um mantra. Porque sou parecida com a minha avó, e tal como ela, tenho um coração resistente e fiável.

8 de março de 2015

Ser Mulher


É ser frágil e ser forte.
Do medo criar coragem.
É sem bússola saber o norte,
na tempestade encontrar a margem.

7 de março de 2015

(In)certo

Ás vezes tomamos consciência que a vida é curta de mais para a desperdiçarmos com ninharias.
Percebemos que adiamos demasiado. Na nossa cabeça é mais natural vermos um tempo futuro que damos como certo. 
Imaginamos uma linha temporal infinita, onde há tempo de sobra para tudo. Para marcar aquele jantar com os amigos de quem já temos saudades, fazer aquela visita prometida há séculos, lanchar naquele sítio que promete, cuidar mais de nós, tomar aquela decisão, viajar finalmente para o destino que queremos conhecer há tanto tempo... 
Há tempo para tudo. O será que não? 

4 de março de 2015

Parabéns caçula

Olho para ti, e ainda vejo em ti uma criança.  
Falo contigo e fico surpreendida com as tuas conversas de adulto. Com a tua vida de adulto.
Olho-te mas não te vejo. Vejo um menino doce que não me largava, sempre que eu voltava de férias da faculdade. 
Que me seguia como uma sombra. Que me contava todas as novidades, tudo o que eu tinha perdido. 
Vejo um menino tímido que todos nós "estragámos" com mimos.
Apresentas-me a tua namorada, e pergunto-me quando é que cresceste tanto. Como é que perdi tanto de ti.   
Sabes que te mudei as fraldas muitas vezes? 
Sabes que inventei varias vezes que tinha de estudar, para fugir à responsabilidade de tomar conta de ti quando eras bebé? 
Só quando nasceu o teu sobrinho é que percebi o tanto que aprendi contigo.
És o meu irmão caçula, o que quase não vi crescer, o que chegou ao ninho quando eu já estava de saída.
E é por isso que para mim não cresceste. 
Porque te deixei uma criança, e sempre que te reencontro, é essa criança que primeiro encontro em ti.
Ainda faço contas de cabeça. Quando tu nasceste eu tinha 15 anos... por isso agora fazes … Tantos!

Parabéns F. 

3 de março de 2015

Amores perfeitos

Adoro historias de amor.  
Daquelas que nos roçam no ombro nesta lufa lufa diária, e que nos tocam o coração.
Reais.
Os vizinhos que vejo de mãos dadas na rua, ou a trocar olhares apaixonados no café do bairro. 
O casal de velhotes no jardim, sentados lado a lado num silencio onde se adivinha a cumplicidade de uma vida.
A amiga que vive uma paixão assolapada e salta sem rede para o desconhecido.
A colega de trabalho que decide fazer do companheiro de uma vida, um homem honrado e ainda olha para ele como se trocasse carinhos ás escondidas debaixo da secretária... 
Aquela miúda doce que leio num blogue e que me parece ter encontrado o amor numa das formas mais meigas que existe.  
O meu irmão mais velho que teve a coragem de reconhecer que não era feliz, seguir o coração para viver um amor onde não se finge, onde a paixão se acende em cada divergência de opinião, em cada refrega ou rendição.
... 

1 de março de 2015

Renovação

Fevereiro saiu de cena. Devagar como só ele, arrastou-se durante 28 longos dias.
O Inverno está finalmente a ceder e a prepara-se para o que aí vem. A hibernação acabou. Os sinais tímidos da Primavera começam a despontar um pouco por todo o lado, porque nada nem ninguém trava a renovação e a vida.
E Março chega, ainda tímido, mas trás no ventre doces promessas sem fim. De mudança, crescimento, concretização.
Que se cumpram todas as promessas!