16 de outubro de 2015

Beijos e abraços

O meu filho acha que se pode esquivar de tudo o que não lhe interessa, com beijinhos e abraços.
Seja da refeição que não lhe agrada, do banho, do castigo que fez por merecer. 
Se lhe digo de forma mais ríspida, que  tem de fazer sem demora, algo que está a protelar, pergunta se me pode dar um beijo, ou então, pede-me um abraço apertado.  
Conheço-lhe o jogo. Por fora faço cara séria, mas por dentro sorrio, e aproveito o momento de doçura.
Até já tentei dizer que não. Meti a minha cara mais chateada e disse que nem pensar. Mas ele (é a coisa mais teimosa que já vi), não se cala até eu ceder. “È só um abraço”, diz.
Bem sei  que só me está a empatar, a tentar minar a autoridade. Mas que mãe consegue negar um beijo a um filho? Eu não.  
Mesmo depois de um castigo, ainda hoje me pede um beijinho para passar “o triste”. E eu dou…

12 de outubro de 2015

As primeiras manhãs de chuva

Há, e tal... o Outono é tão fofinho, e tem cores tão giras, e apetece é chá e bolinhos caseiros ... Tudo verdade. 
Mas nem tudo são flores, ou melhor, folhas. As primeiras manhãs de chuva, deixam-me sempre em ponto de rebuçado, mesmo antes de sair de casa. Na minha cabeça, a mudança de estação ainda é uma coisa meio romântica enquanto a chuva não aparece. Quando acordo, olho pela janela e vejo que está a chover, desoriento-me. Fico por uns largos minutos sem saber o que vestir, e o que calçar. Da minha mente já se varreram todas as combinações que funcionavam no ano anterior. 
Fico desaustinada. Ainda não está frio suficiente para botas, mas a sandálias já estão completamente fora de questão.
No roupeiro, tudo parece sem graça, ou demasiado fresco. Olho para a gaveta das malhas e sei que ainda é cedo.
Namoro os vestidos, mas não me consigo (ainda) enfiar nuns collants, e para mim, está fora de questão sair de botas, vestido esvoaçante, e perna ao léu. Sim, sim, nunca serei uma miúda fashion... 

11 de outubro de 2015

Valente e inspirador

As crianças nunca param de nos surpreender.  
Eu passei 5 dias a fazer filmes na minha cabeça. A ver cenários de horror na cadeira do dentista. A tentar convencer-me (sem sucesso), que estava a exagerar. 
Ainda tenho na memória a primeira consulta do meu filho, no oftalmologista. Sem entrar em pormenores, posso dizer que não foi bonito de se ver. No fim, a médica desistiu e pediu-nos para lá voltar dali a uns meses. Percebi que com ela, não valia a pena voltar a tentar. Porque a experiência ensinou-me, que se o meu filho não cria empatia com o médico, não colabora. Nada. E isso, em determinadas circunstancias pode ser desesperante. Quando é possível, mais vale mudar de médico.

8 de outubro de 2015

O meu filho é um tubarão!

O meu filho chega da escola todo orgulhoso e diz, "mãe tenho um dente a abanar!".

Primeiro baque: "Já !!!
Queria marcar uma consulta de dentista de rotina, antes de iniciar a muda dos dentes, para ver se estava tudo bem, e para desmistificar. Mas Achava que ainda era muito cedo. Tarde demais. 

Segundo baque : "Favolas a caminho!"
Olho para ele e imagino-o com aquele ar com que todos ficam nesta altura, desdentados, com umas "favolas" enormes, bem... não me orgulho de o dizer mas... muito pouco fofinhos. Tenho três irmãos mais novos e lembro-me que era na muda dos dentes que eles passavam para a fase de miúdos desengonçados, parecia-me que só tinham braços, pernas e aqueles dentes estranhos... Posso estar enganada, mas parece-me a mim que com as raparigas esta transição é mais suave. 

5 de outubro de 2015

Não faz sentido

Esta tarde uma amiga disse-me que estava gira. Prontamente respondi, que não, que me sentia um trapo.
Enquanto o dizia pensava na pilha de roupa largada em cima da cama nessa manhã, porque parecia que nada caía bem... 
Pouco tempo depois, veio-me de novo à cabeça, esta imagem de mim, a contestar o elogio, e não fez sentido
Tinha sido elogiada, num dia em que a minha auto-estima não estava por aí além, mas em vez de me sentir bem, agradecer, e aceitar que outra pessoa me estava a ver de maneira diferente, discordei. Como que a dizer, que não, que o dia não estava espectacular, que aquele sol que ela via, estava ali só por um segundo, porque na verdade tinha chovido, as nuvens estariam de volta em breve, ela é que teve sorte de olhar no único momento em que o sol espreitou. 

4 de outubro de 2015

Votar

Hoje fui votar.
Saí de casa, apesar de não me apetecer mesmo nada, e fui exercer o meu dever cívico. Fui, porque ainda tenho a convicção que devemos usufruir deste privilégio que os nossos pais conquistaram para nós. Fui porque apesar de tudo, não me quero juntar aos que encolhem os ombros e dizem que não vale a pena o esforço. Fui para mostrar que me importo. Nunca, em muitos anos a repetir este ritual, me senti tão indecisa. Olhei para o boletim e quase o usei para deixar um recado. Não o fiz. o bom senso falou mais alto. Estaria simplesmente a escrever para a meia dúzia de pessoas, que como eu estavam ali para que a democracia falasse mais alto. Preferi que o meu voto contasse. Preferi votar por exclusão de partes, mas votar. Estou neste momento a ouvir os resultados, não estou surpreendida. E é isto, que sobre este tema, outros mais dotados falarão até já não os poder ouvir.  

Hard Rock Café Lisboa

Quando nasce um filho, a nossa vida muda, nós mudamos também. Cliché, eu sei. 
Só que ás vezes, exageramos. 
Sem darmos por isso, dividimos o nosso mundo em dois, os sítios onde podemos levar as nossas crianças, e os outros. 
É apenas normal, afinal o instinto protector faz parte da bagagem de mãe. O que não é assim tão normal é excluirmos determinados locais, apenas por que sim. Sem sequer lhe darmos uma oportunidade. E eu fiz isso com o Hard Rock Café.

1 de outubro de 2015

Em modo acelerado

Ontem o pai teve um imprevisto.
Num dia que não foi fácil, saio do trabalho a correr para ir buscar o meu filho à escola.
Dou-lhe o lanche em modo "despacha-te", levo-o comigo a uma formação (das 18.30 ás 20h), que não quero faltar, e digo-lhe que vai ser divertido...
Chego atrasada, peço desculpa por interromper. O professor e os colegas compreendem. 
"Mãe não é divertido..."
"Mãe, quando é que vamos embora?"
...

25 de setembro de 2015

Assar lentamente

Quem me conhece bem, sabe que gosto muito de comer. Se pudesse passaria a vida a degustar comida de restaurante em restaurante. Pelos motivo óbvios, não dá. Em alternativa cozinho. 
Quando estou verdadeiramente inspirada, faço experiências. Tento recriar sabores ou pratos que gosto, ou que acho que vou gostar. Na maioria das vezes corre bem. 
Mas nisto da culinária, o meu maior defeito é ser impaciente, não tenho paciência para os pormenores de fazer "bonitinho". 
Sei que os olhos também comem, e gosto de ver um prato bonito, mas eu, concentro-me no sabor descurando um pouco a aparência. Quando escolho uma receita, das variantes que vou encontrando, escolho-a pelos ingredientes e pela simplicidade de confecção. Gosto de cozinhar sem stress, e sem medidas milimétricas. Sou incapaz de me cingir ás instruções e por isso para cada receita, crio sempre a minha versão. 

23 de setembro de 2015

Matizes de Outono

Todos os anos é a mesma coisa, o Outono chega sem se dar por ele.
E apesar de significar que o Verão acabou, que os dias ficam pequeninos, que as noites quentes na cama de rede da varanda estão no fim, que temos mesmo de pôr de lado a roupa fresca e as sandálias (o meu calçado favorito), isso não me deprime, porque é uma estação de que gosto muito. 
Adoro a palete de cores com que se veste a natureza. Gosto de voltar ao chá com bolos caseiros, de fazer compotas que deixam no ar um cheiro a fruta e caramelo. De me enroscar numa mantinha para ler um livro, ou a ver as minhas séries favoritas, (que também voltam no Outono). Tudo isto, sem os remorsos de estar a perder um fantástico dia de sol. 

21 de setembro de 2015

Não deixar Setembro sem...

...ir ao MEO OutJazz.

Este é um passeio que me prometo de Maio a Setembro. Mas depois, aparece sempre algo que me vai desviando desta intenção. Finalmente, e quase só no fim da época, a coisa deu-se. Este mês a acontecer no Jardim da Tapada das Necessidades na Ajuda, o MEO Outjazz, é na minha opinião uma iniciativa gira para todos. Jardins e espaços verdes de Lisboa só por si já bastante aprazíveis, com boa música, criam um ambiente cool e descontraído, que apetece estar. Ora, se a isso juntarmos amigos e/ou família, só pode correr bem.
Aconselho a levarem uma manta (ou outra coisa qualquer), um lanche (opcional, que há sempre comida por perto), boa disposição (obrigatório), e um fim de tarde bem passado é garantido.
Aproveitem para ir, que está quase a acabar!

20 de setembro de 2015

Quem dois gostos quer ter...

... Um deles (ou ambos) há-de perder.

Tantas vezes que a minha mãe nos respondia com este (seu?) provérbio. 
Não serviu de nada. 

14 de setembro de 2015

Almoços rápidos

Morar perto do local de trabalho (que é o meu caso), para além do tempo poupado diariamente, traz outra vantagem, a de poder almoçar em casa a ouvir musica, a ver as noticias (ou outra coisa qualquer), sempre que me apetece. 
Sim, sei que para alguns, esta ideia de comer restos do jantar, ou cozinhar à pressa na hora de almoço, é uma grande chatice (ás vezes é), mas não tem que ser, se formos criativos. Podemos reinventar os restos, conjugando-os de maneira diferente, ou podemos ousar criar pratos novos, a partir do que temos no frigorífico.
Claro que, isto de "inventar", nem sempre corre da melhor maneira, pois tem tudo a ver com a inspiração que se consegue a partir do que existe em casa. Hoje, decidi partilhar, porque a coisa correu bem, resultando num almoço leve, ainda a cheirar a Verão, saboroso e nutritivo. Fica aqui o resultado.

13 de setembro de 2015

Domingo

Os dias para serem bons, não precisam de ser espectaculares.
Acordar tarde numa manhã de domingo, ser recebida na cozinha com um abraço apertado e beijos lambuzados do meu filho, comer waffles acabados de fazer, acompanhados com uma grande caneca de café, foi o inicio (perfeito) de um dia que me recorda muitas coisas, entre elas, que o Outono está quase aí. 

11 de setembro de 2015

Tertúlia fotográfica

Na quarta feira, fui com a Ju a uma tertúlia fotográfica organizada pela IMAGO
Enfrentei a A5, desta vez em hora de ponta (ai que nervos!!!), e lá fui eu ter com ela cheia de entusiasmo!
Não sabia bem o que esperar, pois esqueci-me de perguntar qual o tema, mas se era um profissional, a falar de fotografia, garantidamente eu estava interessada!
O fotógrafo convidado, Nuno Monteiro, foi muito claro na exposição que fez, desmistificando um pouco a utilização de flash. E digo desmistificar, porque até o ouvir falar, a única regra que eu tinha era... não usar. 
Quanto à Ju, que não resiste a uma oportunidade para fotografar, desafiou-me para uns nocturnos. Eu que raramente fotografo de noite, disse logo que sim, e foi muito divertido.
Nota-se no resultado final, que me falta a experiência (não tenho coragem de andar por aí sozinha de noite, com a máquina e o tripé ás costas), mas teria sido muito pior se ela não me tivesse dado, generosamente, algumas dicas muito boas.
Gostei muito, temos que repetir!

E já agora, se gostam tanto de fotografia como eu, espreitem as da Ju, são uma inspiração.

Seixal

8 de setembro de 2015

Gritar ou respirar

Regressar ao Ginásio após um mês de ausência, foi uma verdadeira prova de resistência.
As duas aulas que habitualmente faço pareceram-me os 10 trabalhos de Hércules. Cada musica que surgia, trazia mais um suspiro e mais uma olhadela para o relógio, que parecia nem se mexer. Na Zumba a professora pedia-nos para gritar com a música, e juro, só me apetecia revirar os olhos, que para mim era gritar ou respirar... respirei. 

6 de setembro de 2015

Da gula ... e outras coisas boas.

"Temos saudades vossas, liga para combinarmos um jantar, um destes dias..."
Esta é a frase que vamos dizendo aos amigos que adoramos, por telefone, ou nas raras ocasiões em que se cruzam connosco entre compromissos e tarefas inadiáveis.
O tempo é curto para o tanto que queremos fazer, passa uma semana, um mês, vários meses. Parece que tudo se atravessa para gorar as intenções. As agendas riem-se em surdina como que a gozar o facto dos dias livres nunca coincidirem, de tal forma que ás tantas já parece praga rogada.
E de repente acontece! Melhor que isso, acontece duas vezes no mesmo fim de semana. De forma que eu, desconfiada das coincidências felizes, fico com receio que surja um imprevisto rancoroso, vindo do gerador de pragas aleatórias, que o universo parece gostar de usar na minha direcção.

2 de setembro de 2015

O momento é agora

Para mim, após quase vinte anos de vida de estudante, Setembro, é sinónimo de início, no meu calendário interno. 
Numa impressão tantas vezes repetida, este é-me um calendário muito mais orgânico que o Gregoriano.
As tão esperadas férias, acabaram, ficando (como sempre), aquela sensação de anti-clímax. 
Nesta altura, o meu lado mais emocional e inquieto, insinua-se com pensamentos de desapontamento. 
"Devia ter feito mais, aproveitado mais, passeado mais..." 
O outro, o racional, afirma que as férias são para descansar, dormir e recuperar energia. Feito!
O saldo é positivo. Sol, calor, praia, família, amigos, comida boa, paisagens de lavar a alma.  
Para o ano há mais. Até lá, aproveitemos o sol que resta, nos dias que ficam mais curtos, em todos os momentos possíveis. 

31 de agosto de 2015

Parque dos Poetas

É muito mais que um parque. Tem recantos deliciosos, arte ao alcance da mão, e poesia literalmente aos nossos pés.
Neste ultimo dia de Agosto, consegui finalmente visitar o último troço que foi inaugurado recentemente. E para quem como eu conhecia "o antes" de longe, ver "o depois", de perto, foi um verdadeiro momento "tcharan!!". A vista sobre a foz do Tejo é de tirar o fôlego. Não tivesse eu ido com o meu filho, que é incapaz de ficar quieto, e teria ficado sentada no topo das escadas só a apreciá-la em silencio. 

30 de agosto de 2015

Tenho orgulho em ser... Imperfeita

Não sou perfeita, e espero nunca achar que o sou. Achar-se perfeito deve ser das coisas mais aborrecidas do mundo. Confesso este gosto por registar de vez em quando, o que me passa pela cabeça, mas desconfio que muito do que escrevo só tem interesse para mim. Não gosto de me censurar na escrita, mas apesar disso faço-o ás vezes. Não é por ser imperfeito, mas porque nos dias de fúria e tempestade, relâmpagos e trovões, os textos transformam-se em desabafos só meus. Não vêem a luz do dia porque há recantos que devem continuar ás escuras.

27 de agosto de 2015

A amizade é um lugar estranho

Estes dias estive em Bragança.
Apesar de ter passado momentos muito bons com a minha família e alguns amigos, nem tudo correu da melhor forma. 
Desencontros, imprevistos, prioridades revistas no ultimo instante, decisões nem sempre muito conscientes. 
E se por vezes idealizamos algo, e na nossa cabeça projectamos a perfeição, no fundo sabemos que é de todo impossível atingir tal estado. Tendo isso em conta, não foi o que idealizei, mas o que foi, abriu-me caminhos novos. Direcções nunca antes pensadas. Depois de se andar em círculos durante algum tempo, encontrar uma direcção nova é muito bom, porque mesmo que não seja a mais certa para nós, mostra-nos que mais caminhos existem, basta não desistir de os procurar.

25 de agosto de 2015

Lago de Sanábria

Quem é de Bragança e arredores, conhece bem este lago, pois basta atravessar o Parque Natural de Montesinho para lá chegar.
Apesar de (infelizmente) já se encontrar do lado espanhol, este é sem dúvida um sítio a visitar.
De uma beleza de tirar o fôlego, este lago no meio das montanhas, transporta-nos para uma calma, que só a conjunção do verde natureza, o azul água, e o silencio conseguem. Se para alguns a praia fluvial é o seu ponto mais atractivo, para mim, são os caminhos pedestres que se embrenham na montanha, e nos permitem explorar ao nosso ritmo os seus mistérios. 

21 de agosto de 2015

20 de agosto de 2015

Amor Electro

Um grande concerto!!
Este ano estou em Bragança em plenas festas da cidade. Muita gente, muito calor.
Os dias pedem rios, albufeiras e praias fluviais, mas as noites quentes são de passeios e musica.
Temos a sorte de ter os concertos ao lado de casa, poderíamos ouvi-los da varanda. Não é a mesma coisa. 

18 de agosto de 2015

A viagem faz parte das férias

Tenho duas amigas que quando fazem férias pela Europa, vão de carro ou de comboio.
Umas das frases que me ficou, quando lhe perguntei se não era cansativo viajar assim foi:
"A viagem faz parte das férias."
Admiro-lhes essa capacidade de encarar as coisas assim, e o aceitarem sem qualquer negativismo, uma vez que tal se deve ao facto de existir uma fobia a voar de avião. Conseguiram aceitar essa limitação e transformá-la numa coisa boa. 

17 de agosto de 2015

Ultimo dia de férias na Falésia

A Praia da falésia é, para mim, uma das mais bonitas do Algarve. As cores não deixam ninguém indiferente. 
O contraste dos tons quentes da falésia com o azul do céu e do mar, só limitados pelo branco areia da praia, e do verde do pinhal, inebriam-nos os sentidos, tal a saturação de cor. 
No ultimo dia aproveitámos até ao ultimo raio de sol. 
Deixámos as crianças a brincar com os pais e eu e a minha amiga M. fomos à procura dos famosos olhos de água. 

16 de agosto de 2015

E quando o sol explodir?

Já vos disse, que o meu filho gosta falar de estrelas, planetas, galáxias, e afins?
Adora. É uma temática que o fascina, e que o pai alimenta. Quanto a mim, ás vezes é-me difícil seguir o raciocínio dele, pois já sabe muito mais que eu sobre o assunto, por isso sempre que posso, esquivo-me.

Conversa no carro depois de ver o pôr-do-sol à saída da praia:
"Pai o que é que acontece à Terra, quando o sol se transformar numa super-nova e explodir?"
" A Terra desaparece."
Aqui, eu vi logo que a conversa se ia complicar...
"Então e as pessoas?"
" Isso só vai acontecer daqui a muitos anos, nessa altura já as pessoas viajaram para outros planetas."
"Ok."

Uma hora mais tarde...

15 de agosto de 2015

A rapariga no comboio

Um livro diferente. Diferente na sua construção, e na perspectiva.
Confesso que comecei cheia de entusiasmo, por me ter sido muito recomendado, mas passadas as primeiras páginas ele foi esmorecendo. Os primeiros capítulos com preâmbulos vários, custaram-me a ultrapassar. Não se trata de leitura ligeira.
Garanto que vale a pena a persistência pois passados esses primeiros capítulos, comecei a ficar presa. De presa, a completamente agarrada. Quando não o estava a ler estava mentalmente a tecer teorias sobre qual seria o desfecho. É um livro que nos leva a questionar a verdadeira natureza das pessoas acima de todas as aparências. 

13 de agosto de 2015

Costa alentejana

Costa alentejana.
Família, amigos, um dia diferente.
O dia começou muito nublado, mas acabou por parecer o dia mais quente destas férias. Água fria, daquela que parece quebrar todos os ossinhos do corpo. Revigorante, para quem se atreveu a nadar e a vencer a resistência inicial. 
Muita conversa boa. Gargalhadas e descobertas. Paisagens de tirar o fôlego. Praias para revisitar com mais tempo.

9 de agosto de 2015

Viagem no tempo

Hoje acordei com o calor. Foi a primeira noite destas férias, que senti calor de noite. Um calor denso e pegajoso, quase tropical. Levantei-me e estava a chover. O céu plúmbeo não deixava ver o sol. 
Tomei o pequeno almoço na varanda e o cheiro do pó e da relva molhada, transportou-me para os Verões da minha infância. Recordei aqueles dias de Agosto, que começavam quentes, abafados, sem uma aragem. Dias que nos deixavam ansiosos, e irritadiços, até culminarem numa bela trovoada, com relâmpagos, trovões e uma carga de água que lavava tudo. 
Eu, apesar das reprimendas, corria para a rua, ansiosa por receber na pele, as grossas gotas de chuva quentes, que caíam do céu cada vez mais fortes e mais frescas. No fim sentia-me rejuvenescida. 

Roof Toppers

Um livro que li como quem bebe um copo de agua fresca num dia quente de verão.
O espírito mais puro da infância, num tempo onde as crianças  quase não podiam ser crianças.
Um romance que nos mostra Londres e Paris, de uma perspectiva no mínimo original.
Somos guiados numa aventura, que sendo ficcional poderia realmente ter acontecido.
Uma uma lógica simples e ao mesmo tempo certeira, somente complexa nos sentimentos que consegue despertar a quem lê.
Quando a uma criança não se impõem limitações de pensamento e criatividade, tudo pode acontecer. E acontece. 

8 de agosto de 2015

Erro

Entre muitas coisas que aprendemos todos os dias, percebo cada vez melhor que é no erro que mais aprendemos. 
Não no errar em si, mas na reflexão posterior. Naquilo que ele nos mostra, e nos caminhos que decidimos seguir depois de errar. Seja para corrigir, para pedir desculpa, ou simplesmente para perceber uma má escolha, é no depois, que podemos (ou não) crescer mais um bocadinho.

7 de agosto de 2015

Até agora, as minhas favoritas.

Ficar numa foto com o meu filho está a tornar-se uma tarefa quase impossível.
99% das vezes, estou eu com a máquina na mão, as restantes ele percebe a minha intenção, e foge a rir...
Desta vez não me conseguiu escapar, e aconteceu assim, em modo acrobático.

6 de agosto de 2015

Medo, ultimo acto


(continuação)

... 
Entro na autoestrada “quase” à maluca, a seguir ao carro que lá vinha. Mantenho-me na faixa da direita para recuperar do susto. Vou lendo as placas, e sinto que vou depressa demais. O pé dói e o receio que me atormenta, (como senão chegasse o pânico que ameaça tomar conta de mim), é precisar de travar e o pé não aguentar. 
O trânsito flui, mas não consigo descontrair. Sei que estou muito atrasada e a andar demasiado depressa, não posso cometer erros, aqui um erro paga-se muito caro. 
De repente, um carro à minha frente trava, eu, não sei como nem porquê, em vez de travar, ou mudar para a faixa à minha esquerda, sigo o desvio da direita. Floresta de Monsanto. Estou perdida. Não conheço nada aqui, começo a pensar em bandidos, e prostitutas, e o medo volta a atacar. Que ridículo! O tempo das prostitutas no Monsanto já lá vai, agora é só um local para desportistas e famílias, lembro-me de cada coisa... Ligo o rádio para aliviar o ambiente.
Tudo se precipita. do nada, um cão atravessa a estrada, e eu tento travar a fundo, hesito, devido à dor lancinante no pé, sei que vou acertar no cão, e dou uma guinada para a direita. Salvo!

5 de agosto de 2015

Um dos objectivos para estas férias

Colocar a leitura em dia.
Todos os anos é a mesma coisa. Trago uns quantos livros, mas com um filho pequeno, metade costuma voltar, por abrir. 
Este ano, ele está muito mais independente, pelo que acredito que tenho um objectivo bastante realista. 
Estes que trouxe este ano, depois de os ler, digo da minha justiça.

Medo, acto II

(continuação)
...
Coloco as cuecas num prato, (nem sei porquê, não faz muito sentido, mas adiante). Sente-se um cheiro estranho na cozinha. Deu asneira. Desligo o micro-ondas e o que lá se passa não é bonito de ver. Nem me ocorreu que devia ter escolhido as cuecas de algodão que levo para o ginásio. Estas, de micro-fibra com rendinhas várias, sabe-se lá do quê, neste momento, parecem uma escultura de arte moderna, perto da incineração, parecem qualquer coisa menos cuecas. 
Coloco aquela "coisa" no lixo e volto a tentar, desta vez com as cuecas de algodão, um minuto de cada vez. 
A experiência corre melhor. Secas e quentinhas, visto-as e voo para o quarto para acabar de me vestir. 
Estou super atrasada. 
Quando me vou calçar é que são elas. O tornozelo está a latejar e não cabe nos botins. Com já estou por tudo, despejo o saco da ginástica e calço os ténis. Meto os botins na mala de mão. Já não há tempo para o pequeno-almoço. Olho-me ao espelho e a imagem de volta não é muito atraente. Cabelo com aspecto duvidoso, e uns ténis laranja a sair das calças, a destoar de todo um conjunto planeado e que fazia sentido na noite anterior. Smart casual. “Bem la casual é, …agora de smart pouco tem…”
Decido manter o pensamento positivo, siga.

4 de agosto de 2015

Medo, acto I

Soube através da Catarina, desta ideia a acontecer no Porto aos Domingos.
Não podendo (com muita pena minha) estar presente, decidi acompanhar sempre que possível, de longe, este desafio. Não consegui enviar em tempo útil o meu texto, pelo que o vou colocar aqui durante os próximos três dias.


Medo irracional


Estou atrasada. Fiz tudo bem  e ainda assim estou atrasada. Raios!
Acordei mais cedo, para sair com tempo. O aeroporto ainda é longe e o avião não espera por ninguém.
Dois minutos depois de começar a tomar banho, a agua fica fria, e solto alguns impropérios. A porcaria do esquentador tinha que deixar de funcionar logo hoje, e eu que não consigo tomar banho de água fria… 
Saio da banheira a escorrer água. Atravesso a casa toda para chegar à cozinha para ver o esquentador. Com o cabelo cheio de champô tenho mesmo que resolver a situação. Olho, está ligado, tudo parece normal. Na casa de banho abro de novo a torneira, mas a a água continua fria. Volto à cozinha para experimentar tudo o que me lembro. Ligo e desligo. E de novo para a casa de banho e fazer o teste. Nada. O tempo a passar começa a afectar-me os nervos. Tento acalmar-me. Abro janelas, pode ser que seja falta de oxigénio. 
O frio que está lá fora, ainda de madrugada, entra pela casa adentro, começo a tremer enroscada na toalha, e a bater os dentes. No corredor vai ficando um rasto de agua cada vez maior. Escorrego e quase caio. Regresso para a casa de banho. Nada. De novo na cozinha desligo e volto a ligar. Nada. Reviro as gavetas à procura do manual (como se eu percebesse alguma coisa de manuais de electrodomésticos), estou por tudo. Não o encontro em sítio nenhum. O tornozelo começa a doer. Acho que o torci quando escorreguei. Olho para baixo e vejo que está inchado. Era só o que me faltava. 
Há que definir prioridades, depois trato disto... 

Dos dias que custa voltar da praia

Se ontem parecia o dia do regresso de D. Sebastião, hoje um dia completamente diferente.
Um dia radioso, daqueles em que esticamos a praia até o sol desaparecer, ou as crianças se queixarem com a fome.


3 de agosto de 2015

Hoje foi assim...

Eu, confesso, só molhei os pés.
Mas houve alguns que se aventuraram a ir ao banho. 
Os corajosos, aqueles que vão mesmo com frio, para não perder um dia de praia. 
Os naturalmente aventureiros, que não resistem à atracção de um mar ainda mais misterioso.
E as mães e pais, que não se podem esquivar à insistência dos filhos. 
Que isto de ser criança tem esta magia, nunca está frio o suficiente para inibir brincadeiras na água. 

1 de agosto de 2015

Dilema

Estou num dilema.
Levar ou não levar, a ligação ao mundo, de férias comigo.
Nunca o fiz. Para mim as férias sempre foram o corte absoluto com a tecnologia. Um quase isolamento de quem não está ali.
Esqueço o trabalho, as rotinas, algumas regras, e vivo ao sabor do momento durante 3 semanas.
Deixo de me ligar á net, deixo de ver televisão e o TLM serve só para despertador e chamadas inadiáveis.
O único objecto mais tecnológico, de que não abdico em férias é a maquina fotográfica, mas mesmo essa vai poucas vezes à praia com receio que algo de mal lhe aconteça…

30 de julho de 2015

Tempo para reflectir

Julho está quase no fim, e se havia um mês para o qual tinha criado grandes expectativas era Julho.  
No inicio do mês tomei decisões importantes para mim. Ia ser um mês de crescimento pessoal, quebra de rotinas e padrões. Ia ser um mês para me dedicar a temas que me são caros, libertar-me de ideias pré concebidas, trabalhar na direcção que me parece a certa.
Não foi. Imprevistos, uns bons, outros menos bons, minaram completamente as intenções, que não passaram disso mesmo.
E com isto tudo, vou tomando caminhos alternativos que me desviam da estrada que é a minha.
Vou justificando algumas atitudes com razões que me parecem válidas, mas o certo. é que não tenho assim tanta certeza.
É difícil aceitar que estou errada. 
Cansada de mais do mesmo, olho para trás e só me vem à cabeça uma frase.
Se fazes sempre igual, não esperes um resultado diferente
Quebrar ciclos para além de implicar força, coragem e resiliência, implica por vezes, ir contra o que está estabelecido, receber criticas duras, e duvidar.

27 de julho de 2015

A lógica dos miúdos é tramada

"Mãe podemos mudar de casa?" diz-me o meu filho de 5 anos, assim à queima roupa.
"mudar de casa? Não estou a perceber. Queres mudar de casa para onde?"
"Para o minsota."  responde convicto.
"Para o quê?" 
"Para o minsota." 
Devo ter ficado de olhos arregalados, a tentar perceber do que raio estava a falar, mas não querendo dar parte de fraca, continuei. " Explica-me lá onde fica esse minsota?" 
"Não sei, mas o meu pai sabe. E sabes mãe, as pessoas estão sempre alegres no minsota e eu também quero ir morar para lá."
Finalmente fez-se luz. Ele estava a falar do filme Divertida mente que fomos ver há uns dias atrás...
"Já percebi, estás a falar da Riley. Ela estava triste e queria ir para o Minnesota. Diz-me uma coisa tu estás triste?" perguntei com algum receio do que vinha lá.
"Não, mas ás vezes sim, e também zangado e com medo e rebulsa..."
"rebulsa?" 

26 de julho de 2015

Plano pré férias

Depois de ter lido o post da Ana  e me ter identificado com ele mais do que gostaria (porque sou apenas humana), decidi que este ano vai mesmo ser diferente... 
Sim, eu sou daquelas pessoas que passa a ultima semana antes de ir de férias, numa correria louca no trabalho, para que tudo fique bem entregue. Porque há sempre mais uma coisinha, mais um mail para responder, mais uma lista de truques para deixar a quem fica, mais isto mais aquilo. 
A semana não rende o que gostaria. Mesmo esticando os dias, chega a sexta e por mais que prometa a mim mesma despachar tudo cedo para adiantar os preparativos, invariavelmente chego a casa à hora do costume, ou mais tarde ainda.
Resultado, deixo para sábado de manhã, basicamente, tudo. Saímos sempre mais tarde que a hora desejada, e nessa altura ninguém se preocupa em arrumar, mas em sair de casa a tempo, de forma a conseguir ir à praia ao final do dia. 

23 de julho de 2015

Vá, já só falta uma semana...

Estava cheia de preguiça. A hora de sair estava a chegar e comecei a pensar em desculpas para me baldar.
As férias não tardam, e há coisas que já não me apetece fazer. Olhei lá para fora e pensei, "e se fosse até à praia?"
Às vezes tenho estes devaneios, sair do trabalho, fingir que estou de férias e ir sozinha até ao paredão à beira da praia, respirar o mar e sentir o sol do final do dia na pele.
Afastei a ideia. É bom quebrar a rotina, mas hoje era só uma desculpa para fazer gazeta.
Sabia perfeitamente que o melhor era agarrar na mochila, e ir. Que só custa até ao momento em que oiço a música.
E fui. Foi o melhor que fiz. Aquela aula de Zumba só traz coisas boas. Mesmo com dois pés esquerdos, pulo, salto, abano, faço todas as figuras parvas (ou supostamente sexy), que o professor incentiva, e rio. Rio muito. Rio tanto que no fim daquela aula são os músculos da cara que me doem.

20 de julho de 2015

Ainda a saga dos biquínis

Há uns anos atrás, uma feliz coincidência levou-me a concluir que um biquíni com duas peças iguais é aborrecido. 
E isso virou mania. Nada contra os conjuntos, que também já os tive, mas num Verão que passei em Cabanas de Tavira há meia dúzia de anos, comecei a comprar peças separadas que combinavam, (porque nessa loja podia fazê-lo), gostei do resultado, e nunca mais parei. 
Desde essa altura, todos os anos é a mesma coisa, compro por aí, peças que me encantam, mas sem par, e depois o desafio é conseguir encontrar algo que combine. 
Por vezes, a aventura das combinações só termina com um final feliz... no ano seguinte.
Confesso que é um bocadinho irritante, quando nada combina com aquele padrão espectacular que encontro por acaso, mas que não consigo deixar de comprar. Em contrapartida quando encontro a combinação perfeita fico tão contente, que faz com que valha a mesmo a pena. 

18 de julho de 2015

Coerência

Na educação de uma criança, uma das coisas que considero mais importante (quase a par com muito amor) é a coerência.
É conseguir passar a mensagem, de que o pai e a mãe acreditam naquilo que ensinam, que fazem aquilo que pregam, que estão de acordo, mesmo quando não estão. Sempre que possível, ser exemplo.
Porque quando estes factores não estão alinhados, a mensagem confunde mais do que educa.
A criança, (dependendo da idade), não sente segurança, percebe as fraquezas do casal e joga com elas.
Assume que o certo e o errado são variáveis, e portanto passiveis de serem alteradas mediante as circunstâncias.

13 de julho de 2015

Bloggers Camp, ou fim-de-semana inesquecível

Inscrevi-me num impulso.
Rafaela ia estar lá como oradora a falar de viagens, e eu não podia perder! (As pessoas sempre as pessoas...)

Na véspera ainda tive uma espécie de dúvida. " O que vou lá eu fazer?!! Eu, que pouco percebo disto, que só contei que tinha um blogue, a meia dúzia de amigos, e não sei bem onde quero chegar..." 
Rapidamente afastei esses pensamentos. Não sei, não percebo, mas não faz mal, aprendo! 
E aprendi. Tanta coisa nova, tanta coisa boa. 

10 de julho de 2015

Dilema deste verão

Gosto da calzedonia. Não passa um verão sem que eu por lá vá, fazer duas ou três visitas para experimentar biquínis.
Claro que não é o único sítio onde procuro os ditos, mas nos últimos anos tem sido o local onde encontro o que procuro. Tem uma oferta tão variada, que é quase impossível não encontrar algo ao nosso gosto, e a um peço razoável.
Este ano arranjei para mim um desafio que se veio a revelar bastante difícil de cumprir.
Embiquei que iria comprar um fato de banho. 
Hoje em dia há-os tão bonitos, e tão elegantes que decidi comprar um. 

6 de julho de 2015

Amiga de sempre

Hoje a minha amiga de infância faz anos.
Conheço-a, desde que me conheço a mim, ou seja, desde os 2 anos de idade. Posso afirmar convictamente que até aos 18, idade em que saí de Trás-os-Montes para estudar, as nossas vidas seguiram sempre muito próximas. Tão próximas que por vezes nem era preciso falar para que o entendimento acontecesse. 

Neste dia quente de verão, recordo mais uma vez com saudade, os Verões da nossa infância.
Verões que cheiravam a feno, ao musgo húmido dos tanques de rega que usávamos clandestinamente como piscina, e a nívea, o único creme hidratante por nós conhecido.
Verões com dias tórridos passados à sombra, a ensaiar uma qualquer coreografia da Fame (ela sabia-as de cor), a jogar ás cartas com outros amigos, no rio mais próximo a chapinhar com bóias feitas de câmaras-de-ar velhas, ou simplesmente penduradas num baloiço, a falar do passado e a projectar sem limites, os nossos sonhos futuros com a inocência que só as crianças possuem.
Verões de noites quentes e céu estrelado, partilhados com muitos miúdos dali, e de outras paragens que por lá passavam as férias com os avós, com histórias contadas em cima do muro da igreja, ou então a brincar ás escondidas, nas sombras projectadas pelas casas da aldeia, quando a lua estava cheia.
Verões que pareciam eternos.

O nosso umbigo

"As pessoas vivem demasiado centradas nas suas vidinhas..."
Este trecho faz parte de um SMS que recebi e que me deixou bastante constrangida.
Numa primeira leitura desse mesmo SMS, acusei o toque. Ou seja, enfiei a carapuça. E senti-me muito culpada. 
Porque é verdade. Totalmente verdade. 
Mais tarde, cheguei à conclusão que a critica não me era dirigida, mas foi o suficiente para um exame de consciência.
Porque é verdade que por vezes ando tão centrada no meus problemas, que não me apercebo que mesmo ao meu lado, um amigo tem um problema maior. E por vezes só tarde demais entendemos como tinha sido importante, ou mesmo fundamental ter tomado conhecimento, e consequentemente uma atitude. 

1 de julho de 2015

Deixa entrar a luz

Dei por mim, a olhar para as cortinas da janela do meu quarto e a aceitar que não estavam ali bem. Foi um momento de preto ou branco. Sem os cinzentos do costume. Num verdadeiro impulso fui buscar um escadote e tirei-as. 
Sentei-me na cama a olhar para o resultado, e fez sentido.

Mas porque teimei eu, em manter ali aquelas cortinas se já não eram do meu agrado? Faziam-me assim tanta falta? 
Eu achava que sim. Afinal aprendemos cedo que uma janela deve ter cortinas. Um quarto não deve estar exposto ao olhar alheio. Uma certo recato recomenda-se.
Mas porquê manter aquelas cortinas se andava saturada daquela cor havia algum tempo? 

30 de junho de 2015

Alcácer do Sal

Ainda o passeio fotográfico.
Manhã passada de barco no Sado, com inicio e fim numa das mais antigas cidades da Europa, Alcácer do Sal.
Pontes e mais pontes. Salinas, gaivotas, flamingos, e outros que não identifiquei.
O passado e o presente entrelaçados na tradição do sal e da vida, que começa e acaba no rio. 


29 de junho de 2015

Cais Palafítico da Carrasqueira

No Domingo foi assim.
Mais de 40º, o dia mais quente deste verão que ainda agora começou, e eu (e mais uns quantos "loucos"), num passeio fotográfico.
Um calor abrasador, a pior hora para fotografar, e a minha vontade a tender para zero. 
Nem maré alta, nem pôr do sol arrebatador, nem beleza fácil.
Paisagem quase triste, mas apesar disso ou por isso mesmo, com uma rudeza que me tocou.

27 de junho de 2015

Olhos no chão

Regressar à rotina é regressar a mim. Ao meu centro.
Voltar  ao mar calmo é ter tempo para contemplar o horizonte.
Regressar ao silencio, é ouvir de novo aquela voz interior que a agitação mascara.
Estar a sós comigo, força-me a olhar para dentro de mim, a retomar a consciência. A apreciar (ou não) a minha companhia. 
A ver-me tal como sou, em vez de ver o reflexo de mim nos outros. 

25 de junho de 2015

Família

Há tanto tempo que os não via assim, juntos, barulhentos, felizes.
E é tão bom o reencontro.
Casa cheia, vida cheia. Crianças e gargalhadas. Copos de vinho, conversas descontraídas à volta da mesa.
Comida boa. Uma conjugação imperfeita com um resultado mais que perfeito.
Irmãos, primos, família.
Uma casa também precisa disso, da barafunda, do riso das crianças misturado com o tilintar dos copos e dos talheres. 
Precisa tanto do calor humano como do sol. 

23 de junho de 2015

Amesterdão, ultimo dia

Chega o ultimo dia.
Acordo de manhã e tardo em abrir os olhos. Não me apetece levantar. Sinto uma certa nostalgia quando os sonhos sonhados, já mais não são que recordações.
Respiro fundo e consolo-me porque ainda faltam uma horas para o regresso. Sei que levo muito comigo. Cresci mais um pouco.
Custa-me sempre fazer a mala para regressar de qualquer destino ansiado. Olho para tudo o que espalhei em cima da cama, e parece que nem metade caberá na minúscula mala que trouxe comigo. Obviamente não resisti a algumas lembranças, e isso vai ocupar espaço. Faço diferentes combinações de arrumação, e desisto. Tenho mesmo que levar 3 casacos vestidos… 

22 de junho de 2015

Amesterdão, chuva e seca

Já sabíamos que o dia seria de chuva, mas mesmo assim saímos cedo, pois o bilhete de 24 horas de barco acabaria ao meio dia. Queríamos começar na outra ponta da cidade, na zona mais antiga perto da velha igreja (Oude Kerk), e decidimos ir de barco até lá. 
O primeiro ponto do dia seria uma igreja secreta que nos tinha sido recomendada por uma amiga. 
Houve na história da Holanda um período em que o catolicismo era mal visto. Por isso os católicos praticavam a sua religião em segredo. A igreja em causa é tão secreta, que ninguém em Amesterdão nos conseguia dizer onde ficava. Perdemos uma manhã inteira á sua procura. 

21 de junho de 2015

Amesterdão, cultura e comida

E ao terceiro dia descansámos... Mentira.
Tínhamos planeado descansar. Acordar mais tarde, tomar o pequeno almoço sem pressas e depois vaguear pelos canais de barco.
Dois únicos pontos obrigatórios para esse dia, a tarte de maça no bairro Jordaan, e um passeio no Vondelpark, pois estava um dia excepcionalmente quente.
Ver a cidade de barco pelos canais é quase obrigatório. É outra perspectiva. É a única maneira de contemplar em detalhe, as centenas de casas barco tão típicas e originais. é todo um modo de vida sem supérfluos. interessante, mas não é para mim, que não me vejo a viver dentro de água num espaço tão exíguo.  
Começámos tarde, a primeira paragem foi na zona de Jordaan. O calor do meio dia já se fazia sentir e por isso procurámos caminhar à sombra. Jordaan é uma zona residencial muito acolhedora e calma. De quando em vez aparecia uma loja de roupa vintage, um atelier com peças únicas de decoração, ou um escritório, tudo sempre decorado de forma original. Encontrámos um mercado de rua, onde os legumes e a fruta ainda cheiravam a horta. Comprámos morangos cujo cheiro não nos deixou passar indiferentes. 

19 de junho de 2015

Amesterdão, um dia no campo

Neste dia aprendi que os holandeses têm pelo menos uma coisa em comum com os ingleses, a pontualidade. Não esperam por ninguém. Tínhamos um passeio marcado e ... chegámos no ultimo segundo do ultimo minuto... quase o perdíamos.

A primeira paragem foi numa pitoresca aldeia de moinhos de vento, Zaanse Schans, um aglomerado onde ainda existiam alguns em funcionamento. São muito bonitos, fiquei encantada com a sua silhueta numa paisagem que tinha tanto de verde como de azul. Ali a vida parecia correr a um ritmo mais lento. Só a velocidade das bicicletas que passavam por nós quebravam o encantamento.

18 de junho de 2015

Amesterdão, dia 1

Não vou detalhar esta pequena viagem para não ser maçador.
No fundo, a poucos interessam os pormenores em detalhe. deixarei só algumas impressões e fotografias.

À chegada ao aeroporto de Schiphol, no meio de alguma euforia e confusão acabámos por nos desembaraçar rapidamente com a ajuda de um grupo de portugueses, com os quais começámos logo a trocar impressões mal ouvimos a língua.
E este é um fenómeno engraçado e digno de nota, que acontece fora de Portugal. Quando ouvimos a nossa língua, olhamos e sorrimos em sinal de reconhecimento, sem qualquer tipo de constrangimento. As pessoas aproximam-se mesmo que a única coisa em comum seja a nacionalidade. Cria-se uma espécie de solidariedade.

16 de junho de 2015

De regresso

Estou de regresso da minha aventura. Concretizei finalmente um dos meus destinos de sonho. E foi muito bom!
Quem por aqui tem passado, percebeu que se tratava da terra das tulipas, dos moinhos de vento e das socas de madeira, mais concretamente a bela cidade de Amesterdão.
Fui com uma amiga. Deixámos os pais com as crianças e partimos as duas à descoberta.

13 de junho de 2015

Histórias incriveis

Tenho uma amiga que seja por que motivo for, começa sempre por comunicar comigo por SMS.
E quando me envia um SMS a dizer: 
"há novidades, não sei se boas se más, que com a idade deixamos de as classificar...", o meu coração pula de alegria.
Conheço-a há tantos anos, que consigo adivinhar, só por esta mensagem que ela está feliz. E isso deixa-me feliz também. Acompanho-lhe, umas vezes de perto e outras de longe, aventuras e desventuras, porque o mundo dela é assim, cómico, dramático, absurdo, e inacreditavelmente verdadeiro.

9 de junho de 2015

Mais vale tarde...

Um dos meus sonhos de adolescente,  sempre foi o de viajar. Suspirava por fazer um interrail. Mochila ás costas, comboio, e lá ia eu por essa Europa fora... Mas, naquela altura, não tinha nem dinheiro nem autorização parental para o fazer. 
Só quando comecei a trabalhar, é que esse sonho começou a ganhar substancia e a passar para o reino dos planos. 
Acontece que a empresa onde comecei, como a maioria, pagava mal a quem acabava de sair da Faculdade, afinal pouco éramos mais que estagiários. 
O dinheiro mal dava para as despesas básicas e para pagar o apartamento que dividia com amigos. Adiei. 
Ao fim de dois anos mudei para um emprego mais bem pago, começou a sobrar ao fim do mês, voltei aos planos. 
Mas como dizem por aí, “nós fazemos planos e Deus ri-se deles”.

8 de junho de 2015

Lisboa à noite, festas populares, caminhada

Este é o (pobre) registo fotográfico que não faz jus à festa que é Lisboa por estes dias. Nesta caminhada que começou e acabou na Avenida da Liberdade, passámos pelo Príncipe Real, Bairro Alto, Cais do Sodré, Santa Apolónia, Alfama, Graça, Mouraria, Rossio. Foram 14 quilómetros, feitos sem pressa. Quase em modo de passeio turístico.
Conversei muito mas fotografei muito pouco. Sem tripé, quase nem vale a pena.
Todos os bairros típicos, se encontram vestidos a rigor para a festa maior. 

7 de junho de 2015

Feira do livro

Adoro ir à feira do livro. Não passa ano nenhum que não vá pelo menos uma vez.
É já para mim um ritual, que não deixa de lado um gelado ou uma fartura consoante o dia.
Ontem fui com uma amiga que gosta tanto ou mais de livros que eu. Mas o dia e a hora escolhida não podia ter sido pior (se calhar até podia, mas não sei...). Das 15h ás 18h de um sábado, com uma manifestação na rotunda do Marquês, uma fila de autocarros estacionada no túnel, um sol abrasador onde nem uma aragem corria, e lugares para estacionar a tender para o zero.

5 de junho de 2015

Desempoeirar

Quando a cabeça anda cheia e o coração inquieto, arrumo.
Arrumo gavetas. Reviro-lhe as entranhas. Viro papeis como se fossem frangos, fazendo-lhe em diagonal, uma leitura frenética para avaliar a sua real utilidade. Raramente a têm, acumulo demasiados.
Arrumo a secretária. Na esperança que um tampo limpo e desimpedido, me dê um horizonte mais claro.
Arrumo o roupeiro. Organizo cabides, roupa por cores, ou função. Rejeito finalmente roupa que não uso, mas que um dia “poderia voltar a usar”.
Desempoeiro recantos, ganho espaço, arejo a casa, porque nesses dias, tudo o que não tem uma função definida me irrita.
Atrás de mim ficam caixotes e sacos com tralha acumulada e sem préstimo…

4 de junho de 2015

Desalento

Ás vezes adormeço e acordo num desalento que não explico.
Com vontade de baixar os braços, e desistir de remar contra a maré. 
Vontade de pôr de lado esta inquietação, e aceitar que as coisas são mesmo assim. Porque afinal quero demasiado. Sonho demasiado. Pressinto um caminho que mais ninguém vê, que porventura, não é o meu.
Se calhar não tenho a força necessária, ou a argamassa. Se calhar ando enganada por um alter-ego que cresce com pés de barro. Iludida num balão de optimismo Insuflado de vento. Se calhar, afinal não consigo tudo.
Se calhar vivo numa ilusão criada por mim. Por esta insatisfação, por este acreditar que não pode ser só isto. 
Que não sou só isto.

1 de junho de 2015

Ser criança

Gosto tanto de o ver assim. Rodeado pelos amigos, feliz. A ser criança.

Sei que esta foto não é nada de jeito, mas adoro-a.

31 de maio de 2015

Maioridade

Neste ultimo dia de Maio a minha sobrinha mais velha fez 18 anos.
E eu ali, ao lado dela numa conversa intima sobre sonhos, desejos e planos para o futuro, por momentos regressei aos meus 18. À minha visão ingénua e pura do mundo. Aos meus próprios anseios. Consegui visualizar momentos exactos de decisões, que mudaram completamente o meu rumo. Ela muito mais que eu nessa altura, sabe o que quer. Vi nela uma maturidade serena, que me fez acreditar que a aventura que agora inicia, tem tudo para correr bem.

30 de maio de 2015

Cerejas... das boas

Adoro cerejas. 
Esta é mais uma fruta que me remete à infância. 
E por gostar tanto delas, não as como, se não forem boas. Se não me trouxerem o sabor a sol, o sabor de casa. 
O meu avô materno sempre as teve no pomar da quinta. Cerdeiros (nós não lhe chamamos cerejeiras), todos os anos carregadinhos de cerejas, que vendia ainda na árvore. 

Na varanda da casa da quinta, havia um buraco por onde crescia um cerdeiro. Em boa verdade o cerdeiro já la estava antes da varanda, e por isso quando a varanda foi construída, ele deixou-o ficar. "Para que os netos chegassem ás cerejas", dizia. 
E assim foi.
Cresceu e engrossou com os anos, e sempre me lembro de as colher e comer mesmo ali. Ficava-mos em pé e era só esticar os braços. Parecia que estava-mos cara a cara com a árvore, olhos nos olhos com a copa frondosa, coberta de verdes folhas e cerejas vermelhas escuras. Era como se fizesse parte da família, como se fosse uma árvore de estimação. Afinal quase "vivia" dentro de casa. 

29 de maio de 2015

Dois pesos e duas medidas

Descrição de uma situação real, que me complica os nervos, e na qual vou usar nomes fictícios.
O Manuel, há uns 6 ou 7 anos começou a praticar desporto ao fim de semana. Chamemos-lhe golfe.
A Maria há um ano decidiu que também lhe fazia bem ter um hobby para arejar a cabeça, e começou a negociar com o marido alguns dias para poder também ela, praticar um desporto de fim de semana. Chamemos-lhe canoagem.
Até aqui nada de surpreendente, até porque a combinação funciona entre os dois. Umas vezes vai ele outras vai ela.

27 de maio de 2015

Está explicado

Trecho de uma conversa com o meu filho, a propósito de andar como os joelhos esfolados de tanto correr, e por vezes cair:

“filho, tens que ter mais atenção quando corres, não podes andar por aí, sempre a correr à maluca.”
“Sabes mãe, não sou eu. Há bichos pequenos no chão que nos fazem tropeçar e cair.”
“Nunca os vi filho, como são esses bichos?”

“são pequeninos e invisíveis…”


26 de maio de 2015

Dia da minha Mãe

Estive sentada a olhar para este espaço em branco, vários minutos, a listar mentalmente o que me tentaste ensinar ao longo destes anos. Pensei em deixá-lo aqui escrito para memória futura. Mas a verdade é que desses ensinamentos de mãe, alguns  aceitei, e outros ignorei por achar que não me serviam.
Nesta ânsia de ser diferente, muitas vezes cometi erros, e outras consegui caminhar no sentido certo, o da minha própria identidade. E foi nesta rebeldia que cresci como sou. Que compreendo como somos mais parecidas do que julgava. 
Dou por mim, agora também como mãe, a repetir frases e actos que em adolescente, criticava em ti sem dó nem piedade.
Não fui uma filha fácil.  

25 de maio de 2015

De azeitão ao Portinho da Arrábida

Organizada por um amigo, este domingo fiz mais uma caminhada, desta vez na serra da Arrábida.

Foi todo um evento de tirar o fôlego:
A subida acentuada, a descida vertiginosa, a paisagem deslumbrante.
O calor abrasador que se fez sentir depois do almoço...


23 de maio de 2015

Solar

Quando me perguntam se sou mais Lua ou mais Sol, fico na dúvida, porque para ser sincera sou de Luas…
Uns dias mais solar, outros mais lunar.Temperamental. Ou como alguém uma vez me disse, "típica de Gémeos".
Deixando a Astrologia de lado, a verdade é que tenho momentos de luz pura. Alegria. E outros, onde prevalece o cinzento pardo. Melancolia. Estados que podem alternar várias vezes num mesmo dia.
Neste ano que passou propus-me fazer crescer o meu lado Solar. Porque quero acreditar que há coisas que podemos melhorar.  E uma delas, é a maneira como lidamos com o que se passa à nossa volta.

22 de maio de 2015

42 já? parecem 21...


Aos 40, fiquei à espera de uma festa surpresa, mas a coisa não se deu. 
Aos 41 andava tão chateada com isto e aquilo que nem queria ouvir falar de festas.
Hoje faço 42, e já aprendi finalmente o que devia saber há muito tempo:

19 de maio de 2015

Caminhada em Penacova

Foi este sábado, e apesar de atrasado não quero deixar de fora mais um registo. Porque parte do gozo é também a partilha.

Quando me inscrevi nesta caminhada, imaginei-me logo no cenário idílico do Mondego.
Margens verdejantes, água cristalina, e o tão aclamado choupal. A realidade não me desapontou.
Fui sem saber previamente o roteiro, apesar de saber qual seria o destino. Não é que não tenha a informação disponível, mas prefiro assim. Ser surpreendida. Nunca saber o que me espera, e usar a imaginação para antecipar o que poderá ser.
Raramente acerto, mas desta vez foi tudo o que tinha imaginado e mais. Muito mais.

18 de maio de 2015

18 de Maio

Já aqui escrevi sobre dois dos meus irmãos. Hoje é O dia do terceiro.
Num grupo de três, não podia ser mais afortunada, cada um deles é completamente diferente do outro e isso valoriza todo o conjunto, complementando-se em forças e fraquezas.
Nenhum de nós se parece entre si. E isso é verdadeiramente espectacular. Juntos reunimos uma diversidade que torna qualquer reunião familiar uma verdadeira animação. 

Este irmão, que quero celebrar hoje, foi muito desejado pela minha mãe. Lembro-me de a ver “pressionar” o meu pai de todas as formas que sabia porque queria mais  um filho.
Porque já tinha dois “quase criados”, porque já tinha saudades de ter um bebé no colo, porque não há dois sem três. 
Porque sim… E uma mulher quando quer um filho, não desiste. E ainda bem.

17 de maio de 2015

O que realmente importa

Quando alguém mais próximo morre, pensamos na nossa própria mortalidade. 
É talvez um acto egocêntrico, mas acredito que faz parte da natureza humana. 
Perante este olhar de frente para o inevitável, cada um de nós encara o que daí resulta, à sua maneira. Por vezes, percebermos finalmente, que de tudo o que temos, os afectos e as nossas pessoas são o que realmente importa. Que tudo se resume ao que fica escrito no coração de cada um de nós. Que só o Ser é permanente, o Ter passa, muda, fica para trás.
É pelo que somos que seremos recordados. Esse é o único legado. 

14 de maio de 2015

Recorrente

Há vezes, em que quero muito.
Quero tanto, que quase todos os sonhos sonhados me parecem possíveis. Nestes momentos só vejo caminhos. Soluções.
Todos os ses se transformam em certezas, sem planos, sem rascunhos, sem ensaio geral. 
Tudo faz sentido. 
E eu sou ousada. Podia ser aquela personagem que imaginei para um livro que vale a pena ler. Um alter ego desmedido.
À frente tudo é luz, e avanço sem hesitações. Primeiro devagar e depois cada vez mais depressa. 

11 de maio de 2015

Causa ou consequência

É quase impossível não gostar de quem nos faz rir.
Não é por acaso, que quando se pergunta a uma mulher o que procura num homem, uma das respostas mais comuns, seja: 
"que me faça rir".
Cada uma de nós, tem aquela lista de requisitos, que pode ser mais ou menos longa, que vai variando, que puxa mais ao físico ou mais à personalidade. Mas em todas elas (quase) sem excepção vem a capacidade de fazer rir.
Rir é essencial ao bem estar. Rir relaxa e descontrai, liberta endorfinas que nos dão prazer e aliviam o stress. 
Rir pode não ser sinonimo de felicidade, mas é com certeza o reflexo de um momento feliz. 

10 de maio de 2015

Fábrica da Pólvora

Queria voltar de novo à Fabrica da Pólvora de Barcarena faz algum tempo, desta vez para a fotografar. Hoje foi o dia.
Na minha cabeça imaginava que todo aquele amarelo, em contraste com o verde natureza e o azul céu, era capaz de dar bom resultado. Penso que não me enganei. 

9 de maio de 2015

A sério

Nos últimos anos tenho levado a vida demasiado a sério, e isso cansa. ás vezes parece que carrego o (meu) mundo ás costas sozinha. Um mundo de responsabilidades, horários e tarefas a cumprir. Quando se caminha sem rede, é difícil deixar andar. Mas tenho que aprender a fazer intervalos, a arranjar tempo e espaço para o inesperado, o "absurdo" e o "ridículo".  
Preciso de me rir mais, nem que seja de mim. Preciso de gargalhar até ficar sem ar, fazê-lo sem pudores ou medo de ser mal interpretada. Preciso de aprender a despir o fato de "adulta" e regressar à essência da simplicidade infantil. Preciso de me dar aos prazeres inocentes desta vida, sem culpa, como uma criança.
Preciso de regressar ao básico. 
   

7 de maio de 2015

Perigo

Há momentos em que "adivinhamos" o perigo.
Por vezes sem o sabermos, estamos perante situações potencialmente perigosas, e há que algo nos adverte.
Pode ser muito discreto. Um arrepio na pele, um eriçar na nuca, uma náusea, uma sensação de que algo está fora de contexto.
Muitos de nós, quando isso acontece, puxam ao lado racional e não havendo razão palpável, ignoram.
Outros, aceitam sem questionar e mudam de direcção, de comportamento, de atitude. Mudam qualquer coisa.
Já senti isso algumas vezes na minha vida. Nem sempre lhe dei importância, e devia ter dado. Tinha-me poupado a alguns dissabores.

4 de maio de 2015

Eu e o meu mau feitio

Acho giro e fofinho que na escola as crianças façam a prendinha do dia da mãe (pai). 
Ainda me lembro quando era eu, o cuidado com que fazia, ilustrava e escrevia o postal (ou outra lembrança qualquer). Ficava numa grande excitação durante vários dias, só para ver a cara deles ao receber a "surpresa". 
Mas os tempos mudaram (ou então não), e hoje em dia a prendinha já não chega. Algumas escolas organizam actividades. 
No caso da nova escola do meu filho, a meio da manhã. 
E eu acho que é de louvar todo o trabalho que as educadoras têm para organizar todo um rol de actividades. 
Por respeito e consideração tento entrar no espírito. Mas depois de todo um conjunto de actividades físicas, encarar o trabalho acumulado, a uma segunda feira, só ás 11.30 da manhã, completamente encharcada, e descabelada não é fácil. 

Os despojos do dia

Neste dia que se imagina doce e materno, neste dia que se idealiza com pequeno almoço na cama depois de abraços pequeninos, beijos melados de filho, com prendas feitas à mão... acabou comigo ... chamemos-lhe eufórica.

O filhote tinha uma festa de aniversário durante a tarde, e nós fizemos aquela pergunta que se faz quando se está sem filhos durante umas horas: "o que podemos fazer que seria impossível na companhia do filhote?" Depois de algumas ideias concordámos numa. A prova de vinhos no Palácio Marquês de Pombal. 



3 de maio de 2015

Mãe todos os dias

Há uns anos atrás, quando eu tentava engravidar sem sucesso, tudo à minha volta me fazia crer que essa era a única maneira de ser mãe. Engravidando. As restantes opções seriam só pálidas tentativas.
E eu acreditei. E eu sofri. 
E considerava alternativas, mas sempre como uma segunda escolha distante, como se outra alternativa fosse uma imitação desesperada do original.