29 de maio de 2014

Indignação

Como é possíveis coisas destas ainda ficarem impunes!
Como se dorme bem, sabendo da existência destas situações, não fazendo nada?
Com que cara se olha para uma pessoa (criança!) que passou por isto e se manda para casa sem gritar a Deus e ao mundo até que alguém faça alguma coisa!
Que ambiente é o que se vive onde isto é normal e já não faz mossa! Já não indigna!
Policias, médicos, enfermeiros, professores, auxiliares de educação, e tantos outros… Pessoas com as quais contamos para manter os nossos filhos seguros. O que andam estas pessoas a fazer para deixar passar tal monstruosidade? Será que a “crise”, os nossos próprios problemas e egocentrismo da natureza humana já é tão grande que passa tudo ao lado?
Sinto raiva, tristeza, incompreensão... Por  isto .

Para fazer alguma coisa ver aqui.



28 de maio de 2014

Ouvir

Ontem, ao ver um episódio da serie Californication, ouvi algo que me deixou a sorrir e que agora recordo. 
A páginas tantas um pai divorciado questiona uma mãe de dois filhos casada há 23 anos: “qual o segredo para manter um casamento feliz durante tanto tempo?” a resposta polida, estudada, e provavelmente tantas vezes proferida, foi: “a amizade, a cumplicidade, o companheirismo….”
Minutos mais tarde, noutras circunstâncias, num contexto que não interessa para o caso, a mesma mãe grita ao mesmo pai: “Se queres ter um casamento feliz durante 23 anos, ouve o que ela diz! O segredo é só isto, OUVE O QUE ELA DIZ!”
E é isto… tão simples. 
Claro que há outros factores, mas ouvir, é fundamental. Mais alguém concorda?

26 de maio de 2014

Rock in Rio

Ontem fui ao Rock in Rio. Eu e mais 60 mil pessoas.
Isso por si só  não tem nada de extraordinário. O  que torna este facto invulgar, é já terem passado 10 anos desde a primeira e única vez que fui. Nunca mais tinha ido, e gosto tanto daquela animação! 
Adorei cada parvoíce que fizemos em espírito de festa! 
O ambiente festivaleiro, as perucas, os óculos exagerados, a loucura dos sofás insufláveis. As fotografias para a posteridade.
Os concertos no palco Principal foram espectaculares. Alguns dos palcos menores também foram uma agradável surpresa.
Áurea e o Boss AC, qual dupla improvável, combinaram na perfeição, em voz e doçura.
O Robbie Williams, deixou-me sem fôlego, completamente rendida à voz  e ao charme. Lindo, cativante, espectacular. Só tive pena por ter acabado tão depressa. 
Recordo ainda com alguma emoção o momento em cantou o Angel, que me deixou toda arrepiada, pois não bastava o que a musica transmite por si só,  um "gigante de barba rija" ao meu lado, deixava cair as lágrimas sem qualquer pudor ou controlo, exacerbando ainda mais a sensibilidade já à flor da pele. Surpreendente. 
Robbie Williams continua a ser um grande Entretainer, mais maduro, mais descontraído, mais sincero.
 Ivete Sangalo, sempre aquela mulher furacão! Com uma alma que já tem tanto de portuguesa como de brasileira, conseguiu arrebitar aquele mar de gente, que apesar do frio não conseguia parar de dançar e cantar.
Inesquecível!



25 de maio de 2014

Amiga de infância

Tenho amigas de quem gosto muito, que fui encontrando em diferentes fases da vida, que complementam aquilo que sou, tão diferentes entre si, que me alegram o dia que me tornam mais eu.
Mas tenho uma amiga desde sempre.  Desde que me conheço que a conheço a ela.
Toda a vida fomos como irmãs, partilhando segredos, descobertas, tristezas e alegrias. As escolhas de cada uma, trouxeram-nos vidas diferentes, vivemos a centenas de km de distância, e por vezes parece que nos estamos a perder uma da outra, porque a distancia faz destas coisas.
Ilusão. Pois basta agarrar no telefone e tudo volta, a amizade, a cumplicidade, a compreensão. Principalmente a saudade que dói. Saudade de quem somos juntas.
Sempre que penso na infância, penso nela, faz parte da minha identidade, da minha essência como pessoa.
A vida é cheia de distracções, e acabo o dia muitas vezes a adiar aquele telefonema que me traria o equilíbrio, o balsamo da compreensão. E depois o momento passa. E não se recupera.

Tenho uma amiga desde sempre, e faz-me tanta falta...

23 de maio de 2014

22 de Maio

Mais uma passagem de ano. Mais um balanço. 
Uma promessa. Um desejo.

Preocupar-me  menos,
Chatear-me menos,
Simplificar.

Fazer mais aquilo que gosto,
Gostar mais daquilo que faço.

Agradecer mais,
Sorrir mais,
Dançar mais.

Escolher as minhas batalhas,
Aproveitar as coisas simples da vida,
Ser mais espontânea,
Seguir a minha intuição.

Decidir,
Ser feliz.

20 de maio de 2014

Alguém que me acorde

Há dias em que sinto um nó no peito. Dias de uma insatisfação e uma inquietude inexplicável. 
Vivo a impotência avassaladora de quem está a olhar para o relógio da vida a marcar cada segundo irrecuperável sem poder fazer nada! Só o cérebro funciona, a mil, à procura da saída.
O corpo fica congelado perante os acontecimentos que me rodeiam, os olhos gritam por socorro mas da minha boca não sai um som. Parece um pesadelo. Daqueles onde se corre e não se avança. Daqueles onde o corpo parece chumbo. Pesado, dorido sem forças para mais. 
Alguém que me acorde.

Viciada me confesso.

Sou viciada em programas de culinária.
Até há uns meses isso não era um problema pois eu tinha acesso a poucos, basicamente aos da SIC Mulher que fui vendo e revendo, pois se há algo que não me importo de ver repetido na televisão, é um bom programa de culinária.
Mas eis que passei a ter acesso ao Food Network e ao 24 kitchen, foi o descalabro!
O mundo da culinária é demasiado vasto! Muito maior que a Nigella, o Jamie, o Chakall, o Sá Pessoa, o Avilez, a Mafalda, e mais dois ou três que passaram pela Sic Mulher.
Já não tenho tempo para ver um décimo do que gostaria. Pensei que gravar era uma boa solução. Não foi. A Box é demasiado limitada, e tenho que a partilhar com as séries de desenhos animados do meu filho.
Ao fim de pouco tempo comecei a debater-me com o dilema : "o que vou apagar hoje?!"
Apago séries inteiras que não vi, e sinto um aperto! Quando envolve determinados nomes como Donna Hay ou Ljubomir (do qual me ofereci um livro fantástico no Natal, o Papa Quilómetros... com uma fotografias de babar...), fico doente...
Mas porque vejo eu tantos programas de culinária ? Adoro cozinhar?
Ás vezes...
Vejo porque me relaxa, porque é das poucas coisas que posso ver com o meu filho por perto.
Alem disso adoro comer coisas diferentes, e como não posso comer fora sempre que me dá vontade, aproveito a inspiração, junto-lhe o meu instinto e sentido aventureiro, e há dias em que corre mesmo bem!
Gosto de cozinhar quando tenho todo o tempo do mundo. Gosto de experimentar, de alterar receitas de acordo com os meus gostos pessoais, ás vezes corre mal, mas não interessa, pelas que correm bem, vale a pena o risco.
Quando corre mesmo muito bem, partilho com os amigos e eles adoram! (Sim, também já aconteceu servirem de cobaia... quem nunca fez isso que atire a primeira pedra...)
De vez em quando, vejo episódios de empreitada, como hoje... e fico com remorsos.
E é isto... Hoje, dia de semana, em vez de me deitar cedo, que amanhã vai ser um dia longo, pus o Masterchef Austrália em dia...


18 de maio de 2014

A ver navios!

O meu filho e eu vivemos uma aventura de piratas (palavras dele).
Hoje é o dia da Marinha, e ontem estavam na alfândega do Jardim do Tabaco, ancorados para visitas, o Creoula, um veleiro de treino de mar, e a fragata N.R.P. Álvares Cabral.
Por vários motivos, ambas fizeram as delicias do meu filhote.


No Creoula, ele foi o pirata das suas fantasias!
Procurou tesouros, içou as velas, levantou a âncora...


Observou e comentou cada detalhe.


Mexeu onde não devia...E levou ralhete!

Na fragata, subiu à ponte, foi capitão do navio, observou os mapas, viu o mundo pelos binóculos, deu ordens, e navegou na sua imaginação.


Explorou cada recanto. Estava incansável.


Pudemos ver Lisboa de outra perspectiva.
Sempre linda.


No final do dia, cansado, e a pedir colo...
entregou os pontos...

Para o pequeno pirata, foi um dia memorável!
Para mim foi uma canseira, mas a felicidade dele foi a minha.


P.S. :Um Grande obrigado a todos os tripulantes que "aturaram" a sua curiosidade e irreverência, especialmente ao tio L.



16 de maio de 2014

Filho unico

Este fim-de-semana estarei só eu e o meu filho. Sem amigos por perto, sem família, só nós.
Até pode ser que se revele um bom fim-de-semana (algo me há-de ocorrer), mas sofro com esta ideia de filho único. De não ter amigos, primos ou outra qualquer família sempre por perto. Sei que ele precisa. Sinto isso quando o levo ao parque e ele chama amigo a qualquer criança que lhe dê atenção (ás vezes até ás que não dão atenção nenhuma).
Eu que sempre estive rodeada pelos meus três irmãos, nunca só, custa-me que o meu filho não saiba o que é ter um irmão. Ter alguém com uma ligação única, que está sempre perto de nós (mesmo quando está longe), alguém a quem fazer confidências, que nos ensina o mundo sob outra perspectiva, a partilhar, que não somos o centro do universo, alguém a quem ensinar algo. Um irmão é aquela pessoa em que se confia acima de todas as outras, apesar de todas as implicâncias naturais (ou talvez por isso), cria-se com um irmão uma cumplicidade, que raramente se tem com amigos.
Com um irmão nunca estamos sós. E eu gostaria muito que o meu filho tivesse isso, e sinto-me atormentada porque não tem.


14 de maio de 2014

Quebrar a rotina

Nestes dias que já cheiram a verão, é tão bom quebrar a rotina. Chegar a casa ainda com sol, ir comer um gelado com o filhote, (aos pulos de tão contente que ficou), encheu-me a alma.
O passeio, com a brisa quente a acariciar a nossa pele, transporta-nos para as férias que ansiamos.
Levar na mão aquela mão pequenina que ainda se perde na nossa, dá uma alegria que não se mede.
Depois vê-lo comer o gelado com satisfação, os olhos a brilhar e aquela cara cheia de chocolate a parecer um bebé Panda... Tão, mas tão bom!
E o dia até pode não ter sido o melhor, mas a terminar assim recorda-me o que é mesmo importante.




13 de maio de 2014

Hoje tive um dia difícil

Não interessa o motivo, ou os motivos, mas foi um daqueles dias em que parece que tudo nos cai em cima. Quando pensamos que finalmente vamos conseguir levantar a cabeça e respirar, mais e mais...
E o tempo não estica.
Já acordei cansada, dormi pouco. Estive a trabalhar até tarde. Quando a energia está em baixo, é mais difícil manter o ânimo.
A manhã passou demasiado depressa, sem avistar soluções. Depois de almoçar a correr, estacionei o carro e respirei fundo.  Decidi caminhar devagar até ao edifício onde trabalho, sentir o sol, pensar em coisas boas, para anular todo o stress que carregava comigo. Por um momento breve, senti que estava a dramatizar. Tudo se resolve.
Apanhei uma flor à beira do caminho para contrariar o cinzento da minha secretária. Nem a flor se deu bem por lá! Quando deixou de sentir os raios do sol, fechou, que não há lâmpada que se compare...
O dia continuou no mesmo ritmo, frenético. No final fui ao ginásio, estive quase para não ir, pois a minha vontade era chegar a casa, enfiar-me na cama e esquecer o que deixei pendente. Mas fui.
Foi a melhor decisão. A musica, o esforço físico, o relaxamento no fim, levantou de cima de mim quase todo o peso que carregava. Saí de lá cansada mas leve. Recuperei parte da minha energia.
Há dias assim, em que parecemos desenhos animados constantemente a ser atropelados na estrada, sem hipótese de fuga.
Espero que o sono seja verdadeiramente reparador. Amanha é outro dia.

9 de maio de 2014

As promessas são para cumprir

Sabem daquela limitação, de uma pessoa atada (eu), que tem pânico de conduzir?
Pois… É cada vez mais um verdadeiro atraso de vida. Já não há paciência para tanta aselhice. Qualquer dia os meus amigos mandam-me dar uma curva.
Ontem, devido a imponderáveis laborais, tudo o que eu tinha planeado de forma a poder ir ao lançamento do livro da Ana, da Carla e da Marta, caiu por terra.
Se eu fosse uma mulher automobilísticamente desenrascada, a coisa tinha-se resolvido sem stress, e eu tinha conseguido chegar a horas, mas o que se passou foi o seguinte:

17h15m: Surpresa! plano prévio por água abaixo.
Pilha de nervos. Telefonemas a tentar arranjar uma solução. Consegui que a minha amiga M. ficasse com o meu filho até ás 20 h, que a seguir tinha um jantar de aniversário.

17h 45m: Mais telefonemas, e depois de uma história mal contada ( eu a tentar justificar a minha aparente loucura) lá consegui convencer um amigo, a levar-me ao dito evento.

18h 05m: Vou buscar o meu filho ao infantário, e quase o arrasto para o carro de maneira a que ele não se distraia com amiguinhos no parque de estacionamento.

18h 30m: Deixo o filhote na casa da M.  

18h 45m: Voámos num Smart em direcção a Belém com uma folha de papel na mão a tentar entender as instruções para encontrar o local do evento. Gincana a tentar fugir ao transito num dia de greve.

19h 15m: Após ter passado a viagem a pensar :” isto é de loucos, e não vou chegar a tempo” cheguei finalmente.

19h 20m: Entro no recinto esbaforida. Estava no fim. Ouvi as ultimas palavras da minha amiga (só pensava no que tinha perdido). Dei-lhe um beijinho, falei com a mãe dela, que estava tão emocionada (ela negará com certeza), que me deixou com a lágrima a querer saltar.
Andei esgrouviada à procura do livro para poder pedir o autógrafo das três. Encontrei o Rui que me disse onde o podia comprar, (já tinha passado lá sem ver nada). Sempre a olhar para o relógio, lá fui de novo para a fila que entretanto cresceu.

19h 30m: Vi o meu amigo A. a tentar entender o que eu andava a fazer. Pois parecia uma barata tonta.

19h 45m: Fui dizendo que só tinha babysiting até ás 20h a ver ser conseguia chegar à mesa mais depressa. Finalmente pude dizer um olá apressado ás três, (a propósito gostei da Carla, a Ana já conhecia). Beijinhos, beijinhos… faltou aquele abraço… fica para a próxima.

19h 50m: Saí a correr, avisei a minha amiga M. que estava a caminho, voámos de novo no Smart, (em dias de vento como o de ontem, parece mesmo que vamos levantar voo).

20h 15m: Cheguei, recolhi filho, agradeci … Respirei fundo e a vida recuperou a sua normalidade.

Conclusão: Tenho que resolver este problema com a condução. Não posso continuar a arrastar os meus amigos para as minhas loucuras. Qualquer dia fartam-se.
(Obrigado M. e A.)




7 de maio de 2014

Porque vale a pena acreditar

Há mais ou menos um ano a propósito de um  post da Marta disse-lhe, entre outras coisas, mais ou menos isto :

" ...
No outro dia falavas da Catarina. Mas tu és a “minha” Catarina, uma pessoa real  que cada vez mais me inspira e me leva a acreditar, que devemos sonhar sempre, mas acima de tudo viver na direcção dos sonhos.
...

"
O sonho de ontem é a realidade hoje. Haverá melhor prova que se está no caminho certo? 

(Amanhã estaremos contigo)


4 de maio de 2014

Um dia à minha medida

 
Um dia de sol.
Uma conversa saudosa com a minha mãe.
A felicidade do meu filho.
Fotografia, livros, musica, preciosidades, amigos e um mimo numa loja de sempre.

Perfeito!

 
World Press Foto
LX Factory
Bolo da Marta
Lanidor


Dia da Mãe

O meu filho tem 4 anos. Se tivesse sido mãe quando o planeei teria 9. 
A vida raramente é como a planeamos, troca-nos constantemente as voltas, e obriga-nos a reagir e a estar atentos.
Foram quase 5 anos a tentar engravidar, durante os quais o dia da mãe foi ganhando um significado diferente. Se sempre o tinha passado como filha, desejava cada vez mais vivê-lo como mãe.
No primeiro ano, tudo foi encarado de animo leve e muita descontracção. Tudo tem o seu tempo e eu não tinha assim tanta pressa. A natureza havia de seguir o seu curso, afinal o organismo havia de precisar de desintoxicar, depois de vários anos a tomar a pílula.
Passado o primeiro ano, as dúvidas começaram a aparecer, insinuando-se nos momentos de descontracção, quando menos esperava. Falei com amigas, ouvi vários conselhos, comecei a medir a temperatura, a contar dias, a tentar prever o período fértil. Começou a fase do sexo com dia e hora marcada e posições sugeridas e “infaliveis”. Se no inicio ainda tinha alguma graça, rapidamente, mês após mês a graça desapareceu.
Assumi finalmente que algo de errado se passava. Marquei consulta com a ginecologista, fizemos vários exames, completamente inconclusivos.
Ela, não encontrando razão aparente para o insucesso, lá acabou por dizer que muitas vezes era mesmo assim, a medicina não explica tudo e ainda há um mundo por descobrir. Fiquei banzada! Então em pleno século XXI, não conseguiam saber o que estava mal?
Sugeriu estimulação hormonal com acompanhamento da maturação dos óvulos, e foi o que fizemos. Começou a fase das injecções (só de me lembrar fico arrepiada!).
Tudo decorreu na maior normalidade, óvulos lindos, tamanho espectacular, mais sexo com dia e hora marcada...mas na hora H... Nada. A fertilização não acontecia.
A repetição. As ecografias, a esperança. A espera, as neuras. Um atraso, a esperança... A decepção. Ao fim de vários meses de tentativas semelhantes, a médica aconselha descanso. “Deixem de pensar nisso por uns tempos e depois revemos possibilidades.”
Deixar de pensar... Como se fosse possível! O tempo passava, e eu já só via grávidas e bebés á minha volta! Parecia que o mundo era feito de grávidas e bebés e eu por aqui á espera de minha vez, a “não pensar nisso!”.
Neste intervalo, soube de alguém com ovários poliquísticos, que tinha conseguido engravidar após algumas sessões de acupunctura com determinado médico. Boa! (pensei eu) , comigo ainda vai ser mais rápido pois se os meus ovários até funcionam bem... Pânico de agulhas, mas queria lá saber, estava disposta a tudo.
Foram 11 sessões intensas de electro-acunpuntura, que é como quem diz, agulhas ligadas á corrente... Sempre um horror, a sair de lá uma pilha de nervos, as lágrimas a escorrer pela cara abaixo, e a insistir. Na décima primeira sessão o medico convenceu-me que aquilo estava a fazer mais mal que bem. Naquele estado de nervos não valia a pena continuar. Desisti.
Queria tanto que já não estava a ser razoável.
Parafraseando o livro da Sónia, a mãe de todas as culpas atacou em força. Mas porque raio esperei tanto tempo para começar a tentar? Onde andava com  a cabeça quando decidi tomar a pílula mesmo quando não tinha namorados, mas porque... mas porque...
Parei uns dias para pensar, ponderei alternativas. Voltei á medica.
Ela, perante o meu cenário aconselha inseminação in vitro. Encaminhou-me para uma clínica de fertilidade. Acedi.
Não foi fácil. Pilhas de hormonas injectadas todas as noites, análises ao sangue dia sim dia não, ecografias sem fim. Extracção de óvulos... a espera. A esperança. O fracasso.
Repetição. Mais dor. Finalmente um positivo. Estava grávida! Foi a loucura.  O histerismo. Ver num grãozinho de arroz um batimento cardíaco parece um milagre. É um milagre.
Mas ainda não era para mim. O aborto expontâneo mesmo só tendo 3 semanas foi um abalo tremendo. Comecei a duvidar de tudo, principalmente de mim. Conseguiria passar por tudo outra vez? O medico aconselhou um mês de descanso para o corpo e a mente.
Durante esse tempo, ocorreu-me que o dia da mãe estava de novo a chegar, (com a publicidade em todo o lado era impossível passar despercebido), e mais uma vez o dia não seria para mim como mãe mas como filha.
Voltámos á clínica em Maio. Os dias passaram, entre agulhas e exames vários.
Feita a Fertilização in vitro, no meu caso através de ICSI (microinjecção intracitoplasmática), chegou o dia da implantação, ainda em Maio dia 31.
Mais uma vez, exames, espera. Nervos á flor da pele, hormonas a mil. Finalmente o telefonema. Estava grávida. Devia ter saltado. Gritado de felicidade... Mas na verdade tinha medo. Medo de que não fosse real, que fosse uma miragem, um sonho. Medo de acordar.
Os primeiros três meses, foram de incredulidade. Finalmente ás 12 semanas, quando voltei á minha médica comecei a permitir a mim própria acreditar que era real. Que podia ficar Feliz. Ainda adiei “os foguetes” mais umas semanas, devido á amniocentese, pois se há exame que nos deixa aflitas depois de finalmente engravidar é este. O risco e a espera.
O resultado foi bom e finalmente tudo estava bem. Normal, tudo estava normal. Acho que nunca gostei tanto dessa palavra...
A felicidade era plena. Passei a gravidez num verdadeiro estado de graça. Tão feliz, que me sentia culpada dessa felicidade.
Claro que tive enjoos, e coisas várias, típicas da gravidez, mas tudo me parecia pequenino, insignificante. Todos os problemas á minha volta pareciam pormenores sem grande importância. Nunca me tinha sentido assim e nunca mais voltei a sentir. Como que a flutuar, nas nuvens. Quase inebriada.
Fiquei grávida ainda em Maio, tornando este mês ainda mais especial. Mês do aniversário da minha mãe, do meu aniversário, do aniversário da minha gravidez e o mês de todas as Mães (Eu incluída!!!!)


Depois de tudo, sinto que devia ter uma frase espectacular e inspiradora. Não tenho.
Sei que fui abençoada, pois nem todas as histórias de infertilidade levam a uma gravidez e aprendi que somos infinitamente mais fortes do que imaginamos. 





2 de maio de 2014

Primeiro dia de praia

Ontem foi o nosso primeiro dia de praia deste ano. Um dia de sol espectacular!
O meu filho ansiava pela areia e pelo mar.
Almoço tardio em Setúbal, seguido de um passeio pela baixa, até o sol ficar mais suave.


Encontrámos um grupo de jovens artistas (do grupo de teatro local), cuja palavra de ordem era:
"Homens acordai!"



A praia estava muito boa, principalmente porque estávamos na sombra de uma esplanada a ver os miúdos brincar. A minha pele, muito branca, não permite abusos...
A conversa com amigos fluía sem pressa, e o dia já a fazer lembrar os longos dias de férias deixou-me a ansiar que o Verão chegasse depressa.
O Portinho da Arrábida, mesmo no fim da tarde, já sem ninguém, ( sempre tão verde e tão azul), transmitia uma paz indescritível.





Foi um dia muito bom!

Sair do armário... ou da gaveta, vá.

Ontem este cantinho conhecido apenas por 3 pessoas, teve a visita de algumas dezenas. O motivo: o post da Marta. Sei que foi só a curiosidade natural, mas gostei… (para ser mais exacta, fiquei aos pulos e aos saltos!)
Estive muito tempo (vários meses) a pensar se queria mesmo criar um Blog. Depois queria, mas não sabia de que forma… Demorei a decidir, até que um dia li a frase: “ Se queres fazer, faz já, não é amanhã, nem depois, é agora. Mesmo que não seja perfeito, faz, vai melhorar. O caminho faz-se caminhando.” Parecia um neon gigante e luminoso a piscar à minha frente. 
Então fiz.  E algo cá dentro acendeu.  
No início era pela fotografia, depois comecei a escrever para mim, porque tinha saudades da escrita. Por receio de desistir, não contei a ninguém.
Algum tempo depois já pensava no layout, mudei cores, tipos de letra, experimentei organizações diferentes. Quase sem dar por isso ganhou importância para mim. Faz-me bem.
Ontem apercebi-me que quando somos lidos, temos mais vontade de escrever, de fazer melhor. Não sei se alguém ficou com curiosidade suficiente para voltar. Espero que sim, pois tudo o que gostamos é muito melhor quando partilhado.

(Estou a tornar-me repetitiva, mas obrigado Marta)



1 de maio de 2014

Maio

O meu mês. 
Nasci neste mês e para mim é um dos mais bonitos. O Mês das noivas, das flores, e, como dizem em Trás-os-Montes, o mês dos burros! 
Onde nasci, no dia 1 de Maio é dia de comer castanhas! Todos os anos a minha avó Adília ia lá a casa levar as castanhas que guardava religiosamente durante quase um ano dentro de um cântaro de barro, para neste dia as distribuir pelos netos. Chegava, pedia para estender as mãos em concha, que depois enchia com as castanhas, e dizia: "é para que os burros não te mordam..." 
Confesso que nunca entendi o significado, pois nem sequer havia burros nas redondezas... Nunca lhe pedi explicações e agora já é tarde. Tenho saudades da minha avó, dos seus olhos azuis, da sua maneira doce e simples de ver o mundo. É engraçado como são as pequenas coisas simples, mas feitas com muito amor, que ficam, que nos marcam a infância. E neste dia, com tantos significados possíveis para o mundo, para mim, no meu mundo, significa acima de tudo, o carinho da minha avó.