31 de dezembro de 2014

Para 2015

Desejo a todos um excelente Ano Novo!

E que espero eu de 2015?

Apesar de ser um cliché, o principal é sempre : Saúde, Paz, Amor e Prosperidade.
Saúde, que sem ela tudo é mais difícil.
Paz com os outros e comigo. A Paz de espírito, que só a consciência tranquila e a auto-estima nos devolvem.
Amor em todas as suas formas, maternal, fraternal, platónico, puro e genuíno. Grandioso, avassalador, sereno, desvairado .... 
O Amor que todos procuramos e merecemos.
Prosperidade no sentido da autos-suficiência física, mental e económica, capacidade de trabalho e reconhecimento. 
Nos tempos conturbados que vivemos tudo passa por ter emprego, que garanta dinheiro suficiente para pagar as contas. 
Ter tempo (tão precioso!) para estar com as pessoas que mais gosto.
E pelo caminho partilhar, aprender sempre, e seguir na direcção que transforma os sonhos em realidade.
Em resumo, Ser Feliz!



E agora vou preparar-me para receber amigos e festejar.

30 de dezembro de 2014

A Lista

Quando se aproxima o fim de um ciclo é inevitável uma certa introspecção. No caso do final do ano eu cumpro um ritual, avaliar e renovar "A Lista". Nela cabe de tudo : projectos, desejos, sonhos, promessas... 
Este ano constato o tanto que ficou por fazer e tento entender as razões. Nem todas são boas. 
Alguns itens vão transitando naturalmente ano após ano, para a lista seguinte, são os eternos repetentes, sonhos antigos que vou mantendo por perto enquanto continuar a acreditar neles. Outros são projectos adiados, ou que deixaram de fazer sentido.
Avalio. Mantenho uns rejeito outros. Há sempre coisas novas a acrescentar.

À medida que o tempo passa, mais me parece que passa depressa demais, sem ter sido devidamente aproveitado.
Aqueles dias sem fim, aqueles anos sem fim, com um futuro cheio de promessas já lá vão. A doce infância, e o deslumbramento da adolescência transformaram-se em agradáveis recordações. 
As possibilidades já não são infinitas, pressinto-as cada vez mais limitadas, e por isso mais preciosas, sinto que devo estar mais atenta, para que não passem despercebidas nesta sucessão dos dias. Mas a verdade é que muitas passam.
Sei que é um erro cair na tentação de olhar para trás, a pensar no que devia ou não ter feito. Sei que todas as opções só são válidas enquanto hipótese possível, e que a partir do momento em que uma é escolhida, as outras deixam de ser o que poderiam ter sido. O Presente é o que mais importa. O passado é história e o futuro não existe para além da nossa imaginação. 

Por isso preciso de listas, de fazer planos, ter objectivos, de sonhar sempre
É talvez a minha forma de tentar conjugar o passado e futuro no momento Presente.   

É altura de escrever uma novinha em folha, cheia de planos, promessas e desejos, uns novos e outros renovados.
É tempo de perceber que tudo recomeça amanhã. Todos os dias, todas as semanas, todos os meses, todos os anos. 
Sempre um renovar de esperança, e de oportunidade de fazer mais e melhor.






28 de dezembro de 2014

Ainda sobre Boyhood

Fui "cuscar" sobre o filme.
Eu bem estranhei o miúdo ser tão parecido com ele próprio!
Ocorreu-me (ainda que me parecesse estranho), que fossem irmãos...




12 anos a filmar... Impressionante!

Fui ao engano

Fui ao cinema com a minha amiga M. 
Fomos, e sinceramente fui ao engano. Ela queria ver esse filme, e eu de tanta vontade que tinha de ir ao cinema, estava (quase) disposta a ver qualquer um (desde que não fosse infantil).
Boyhood foi o escolhido. Eu já tinha ouvido dizer que valia a pena ver, nem questionei. 
Lembrava-me de ter visto o cartaz, um miúdo com cara de sonhador deitado na relva, e pareceu-me bem.
Tenho um filho, por isso achei que seria uma boa ideia para entender melhor o mundo dos miúdos, que apesar de eu ter 3 irmãos mais novos, há coisas que nunca partilham connosco, e a infância já lá vai...
Resumindo, estava à espera de um filme levezinho, do estilo "o meu primeiro beijo" versão masculina.
Talvez um pouco romântico e sonhador, com os dilemas simples e próprios da idade, no fim uma qualquer mensagem inspiradora e optimista, que me fizesse vir de lá a sorrir e a pisar algodão.
Não é nada disso. Não vão ao engano. Não se sai de lá de coração leve, mas com a cabeça a fervilhar.

Não é leve, nem romântico, nem cor-de-rosa. É muito melhor. É real.

Ainda agora estou abalada com o impacto. Com tudo o que despertou em mim.
Passei as três horas tensa. À espera não sei bem do quê. A vida sucedia-se entre momentos chave e momentos banais, numa cadencia natural, que me manteve expectante, talvez a ansiar por um clímax que nunca se deu. Passei o filme todo a pensar que apesar de retratar uma realidade muito diferente da nossa, (América profunda, Texas), os sentimentos, as dúvidas, as decepções e as vitórias são as de todos nós. 
Estava convencida que ia ver o mundo pelo olhar de uma criança, mas foi muito mais que isso, para mim foi impossível isolar essa visão da dos adultos, principalmente a da mãe. Foi ela que mais me prendeu, que mais me tocou. Foram todos os seu erros e acertos que me mantiveram em suspenso. Foi a sua perseverança que eu admirei, foi a tentativa constante de proteger os filhos enredados nas suas decisões que me abalou, foram todos os erros e conquistas em nome do que julgamos melhor para os nossos filhos, que me deixaram "banzada". Foi a constatação que nem sempre se acerta, que fazemos o melhor que sabemos, e é com isso que temos que viver. 
Sim, foi muito mais através do olhar da mãe que eu senti o filme. nunca tendo perdido o do filho que nos foi guiando através da sua descoberta pessoal.

Aceito que nem todos acertam à primeira. Alguns acertam, outros não. Quando não se acerta, pode-se fingir que o resultado era o desejado, (dá muito trabalho recomeçar), ou pode-se voltar a tentar, que o caminho é feito de tentativa e erro, acertando de vez em quando. Isto aplica-se a todos os aspectos da nossa vida: pessoal, profissional, social...   
Nem tudo é simples, e raramente fácil. É normal termos medo, o medo vem com o conhecimento, a consciência. Só os tolos não têm medo. Mas ter medo e enfrentá-lo ... a isso chama-se coragem. 
Na minha opinião o mais difícil de aceitar e ultrapassar, é saber que as consequências das nossas decisões não nos atingem só a nós. O segredo por desvendar, é conjugar essa variável na equação, e conseguir resolve-la de acordo com a nossa consciência.   

Fui ao engano, mas ainda bem que fui.


26 de dezembro de 2014

Esta tradição dispenso

Natal de 2012, O meu pai internado no hospital.
Consoada de 2013, parte dela foi passada nas urgências do hospital a acompanhar a minha mãe.
Este ano entre a correria louca de cozinhados e compras, de limpezas e arrumações, e mil e um preparativos para que o jantar de consoada em família, fosse "perfeito", ainda improvisei um sprint ás urgências com o meu filho ... 
Nada de grave, foi só o susto. Mas mesmo assim enquanto dura, tudo nos passa pela cabeça.

Dizem que uma vez é acaso, duas é coincidência, três é conspiração. Ou será tradição? A ser... dispenso.
Trocadilhos à parte, obriga-nos a reflectir, a colocar o nosso mundo em perspectiva. 
Gostamos de reclamar das compras, do stress natalício, da canseira que pode ser. e disto e daquilo. 
Porque é mais fácil reclamar.
Mas é no momento em que o básico fica ameaçado, que percebemos claramente o quanto devemos agradecer pelo facto de poder ir ás compras, de ter família com quem passar o Natal, de ter saúde para passar o dia a cozinhar. 
Que quando nos vemos nas urgências, longe do planeado, e desorientados com a imaginação galopante a fervilhar, tudo o que queremos é aquilo de que acabámos de reclamar.


24 de dezembro de 2014

A azáfama

Quem mais vai passar o dia todo a cozinhar, entre arrumações várias e corridas para o supermercado mais próximo para comprar o que ficou esquecido?
Quem passou a manhã à procura de receitas para fugir um bocadinho aos clássicos?

...

Huuummm ...

...

Ninguém? Sortudas!

21 de dezembro de 2014

Feliz Natal

Gostei da ideia da Polo e do PPC. Aderi e aproveitei o embalo.


Quis recordar a sensação de enviar e receber postais. Daqueles em papel, escritos à mão. 
Só um, pareceu-me pouco. Quis mais.
Decidi escrever um postal de Natal a uns quantos amigos e familiares que estão longe. Fazer-lhe uma surpresa.
Regressar ao tempo, antes dos SMS em massa e dos e-cards. Reviver o ato da escolha do cartão, da escrita, da ida aos correios depositar um pedacinho de amor. Dar um pouco do meu tempo a pensar em cada mensagem, em cada desejo de natal, em cada pessoa que me importa.
A ideia parecia simples. E era. Há 20 anos atrás. Que nessa altura havia sempre postais por perto, envelopes, selos. Comprados em pacotes solidários para que nunca faltassem.
Hoje em dia não perdemos só o hábito, perdemos também … as moradas.
Quem é que ainda tem aquela agenda onde se anotavam as moradas e o numero de telefone dos familiares e amigos?
Eu não. Sei onde moram (alguns), mas o nome da rua e o numero da porta…Não faço ideia.
Tinha duas opções. Ou arranjar maneira de as descobrir sozinha, correndo o risco de chegarem tarde, ou ligar a perguntar, perdendo o efeito surpresa. Por mais incrível e absurdo que isto soe, receber um postal de boas festas no Natal, é uma surpresa para a maioria de nós. Que já ninguém abre a caixa do correio na esperança de encontrar uma carta calorosa, (se forem como eu, vão lá uma vez por semana desentupir a publicidade e recolher contas).

Portanto, esta semana foi assim. Uma aventura de postais de Natal.

Um Feliz e Santo Natal para todos.



18 de dezembro de 2014

Não sei se gosto do Natal

Gostava de estar a dizer que adoro o Natal, de poder escrever um texto inspirador como alguns muito bonitos que já li. Sobre a família, a amizade, a generosidade, o amor.
Mas a verdade é que não estou certa dos meus sentimentos em relação a esta quadra.
Gosto das musicas, dos concertos, da iluminação de Natal. Da ideia de neve, das cores, do cheiro a pinheiro (o verdadeiro). 
Das histórias de Natal, dos doces, da comida, da alegria genuína das crianças, do espírito de boa vontade, da pausa para o recolhimento e balanço de fim de  ano…
Não gosto da confusão das compras (à pressa), do mercantilismo, do excesso, do desperdício, das dúvidas, dos melindres, da alegria falsa, das negociações familiares, da expectativa, do desgaste emocional que é tentar agradar a todos.

Todos os anos me imagino a fugir para um qualquer destino longínquo, e a ficar por lá até que tudo passe. 
Todos os anos me convenço que sou egoísta, que devo ser mais paciente, praticar a generosidade, pensar no outro. E tento.
Todos os anos com o aproximar da data, o nervosismo e a insegurança crescem, e com isso a frustração e as más decisões, acumulam-se.
Todos os anos a quadra passa, e eu fico certa de ter sido arrasada por um camião de TIR. Sei que por mais que me esforce, nunca será perfeito, mas passa o ano e esqueço-me disso, e tento outra vez.

A data aproxima-se vertiginosamente. 
E eu já me encontro na espiral do nervosismo, a tentar decidir entre o que me apetece, e o que (acho que) esperam de mim.
Desde que o filhote nasceu, consigo estar mais próxima da sua essência, através do olhar dele revejo a simplicidade, o deslumbramento, a magia, e tento prolongar esse estado de alma. Por ele, o resto do mundo fica em segundo plano. Mas, mesmo em segundo plano, está lá, muito próximo, e a interferir. E eu tento conjugar tudo, enquanto me esmifro para impedir que esta ambiguidade de sentimentos transpareça.

Não sei se gosto do Natal, mas sei que gosto que o meu filho goste. E enquanto ele gostar, eu gostarei o suficiente.




17 de dezembro de 2014

Circo

Filho, há coisas que só faço por ti.
Ir ao circo de Natal é uma delas.


* Com todo o respeito pelos artistas circenses. Traumas de infância.

16 de dezembro de 2014

14 de dezembro de 2014

A festa da escola

A peça central foi um conto de Natal. O conto todo ele muito bem narrado e interpretado por um pequeno grupo de crianças, era muito bonito. Através desse fio condutor fomos assistindo à magia do natal:

"...A cor tinha desaparecido na manhã de Natal. Era tudo a preto e branco, triste..."

Entram as meninas do ballet. 
A musica transporta-nos, e traduz toda a beleza e melancolia da ausência de cor. A graciosidade e a fragilidade das pequenas bailarinas apanhou-me completamente desprevenida. Rios de lágrimas corriam-me pela cara abaixo, sem qualquer controlo. Fiquei pasmada! O meu filho nem estava ali! Começava bem... A minha amiga M bem que me tinha avisado que havia sempre "choradeira"... 

Uma a uma, as cores foram sendo evocadas através de símbolos de Natal, concretizando-se sempre, na musica e na dança.
Pinheiro de Natal - Verde
Lareira - Laranja 
Alegria (Smiley) - amarelo
...
E por aí fora.

As diferentes classes foram aparecendo e o espectáculo foi ganhando ritmo e cor.
Quando vi aparecer o meu filhote, tímido mas atinadinho a dançar uma coreografia ao som de Purple Rain (Prince), o meu coração encheu-se de orgulho, não se escondeu (como de costume), e dançou em conjunto com o resto da turma. ( e sim, as meninas tinham guarda chuvas !)

No final todos os meninos cantaram a (tal) música.  E ele, a minha miniatura de gente, cantava como todos os outros, sem hesitações, e com uma convicção que me deixou, mais uma vez completamente emocionada.

Raio do puto que parecia tãooo crescido!

Recordo aqui a letra da ultima música, que só por si, é bastante inspiradora.

True Colors
Cyndi Lauper


You with the sad eyes
Don't be discouraged
Oh I realize
It's hard to take courage
In a world full of people
You can lose sight of it all
And the darkness inside you
Can make you feel so small
But I see your true colors
Shining through
I see your true colors
And that's why I love you
So don't be afraid to let them show
Your true colors
True colors are beautiful,
Like a rainbow
Show me a smile then,
Don't be unhappy, can't remember
When I last saw you laughing
If this world makes you crazy
And you've taken all you can bear
You call me up
Because you know I'll be there
And I see your true colors
Shining through
I see your true colors
And that's why I love you
So don't be afraid to let them show
Your true colors
True colors are beautiful,
Like a rainbow
I can't remember
When I last saw you laughing
If this world makes you crazy
And you've taken all you can bear
You call me up
Because you know I'll be there
And I see your true colors
Shining through
I see your true colors
And that's why I love you
So don't be afraid to let them show
Your true colors, true colors
True colors are shining through
I see your true colors
And that's why I love you
So don't be afraid to let them show
Your true colors
True colors are beautiful,
Like a rainbow

12 de dezembro de 2014

Como dar a volta a uma criança de 4 anos...ou não

Já fiz de tudo para descobrir que musica de Natal vai cantar a minha cria na festa da escola.
Sei que tem uma coreografia, porque já o apanhei a dançar, acho que envolve guarda-chuvas...
Perguntei-lhe o que estava a fazer, e disse que era da festa...
Mas quanto lhe pergunto qual é a musica, ri muito e fecha-se em copas.  
Quando insisto, nada...
“Depois vês mamã…”
Já tentei negociar, subornar, pedir com jeitinho, enganar, (Sim, não é nada de que me deva orgulhar)…
“É uma surpresa…”

Só tem 4 anos, devia ser fácil dar-lhe a volta… Este ano não estou a conseguir.
Hum... 
Pergunto a mim própria, a que medidas de coação* terá sido sujeito, para que não se descaia de maneira nenhuma...

  

*Diz o roto...

10 de dezembro de 2014

Jantar de Miúdas

Já tinha saudades de nos ver juntas. De estar, estar mesmo. A ultima vez foi há tanto tempo que já nem me lembro.
Se não estivermos atentos, esta vida que escolhemos ou que nos escolhe, vai-nos afastando de nós e das pessoas que gostamos, sem darmos por isso. Porque não estão por perto, porque ás vezes não é fácil manter a ligação, ou porque nem sempre é possível.

Todos os nossos amigos são especiais para nós. São, como se diz por aí, a família que escolhemos. Os que permanecem, são aqueles de quem tivemos o privilégio da reciprocidade. 
Neste caso em particular são quatro amigas. Conheci-as nos primeiros anos da Faculdade, e não foi  "amizade à primeira vista"... Foi crescendo, criando raízes. Num dos casos, até começou bastante mal, mas a vida é mesmo assim, as circunstâncias podem mudar-nos a perspectiva, e nem sempre a primeira impressão é a mais certa. E ainda bem.
Estas miúdas (na minha cabeça ainda nos vejo assim), são agora mulheres, mães, companheiras, amigas.
De todas e da cada uma, admiro características, que para mim as tornam únicas e complementares, nesta combinação improvável.
A lealdade e frontalidade da S. O elo de ligação e a ponte afectiva entre as cinco. A pessoa que sempre me mostrou caminhos quando só via paredes e precipícios.  
A naturalidade e doçura da L. Sempre discreta e serena, sempre do bem. A apaziguadora.
O pragmatismo e objectividade da J. Não sei bem como, nem porquê, mas a sua perspicácia desconcerta-me sempre.  
A descontracção e bravura da H. a resiliência em pessoa.  

Finalmente juntas, e mais uma vez à volta da mesa. Foi um jantar que ansiava, mas que não cumpriu com a (minha) expectativa, apesar do castiço da tasca italiana e da simpatia de todos os empregados.
O tempo foi curto. A localização complicada. E nós sem a energia certa.
Cinco miúdas a celebrar a vida e a amizade, entre conversas que se queriam leves, mas que carregavam preocupações caladas, adivinhadas pelos ombros caídos, e olhar por vezes distante.
Mas valeu a pena. Vale sempre. Aproveitámos o (pouco) tempo.
Entre pratos... uma excelente noticia, (tão, mas tão boa!) a melhor.
Momento de celebração contido, adiado, eu entendo porquê… já me senti assim.  
Fica a promessa de repetir, desta vez sem correrias, sem hora marcada, sem stress de estacionar, sem ruído de fundo.
Na próxima vez, se preocupações houver, falemos delas sem auto-censura. Ou não, se for essa a nossa vontade.
Que entre amigas todos os desabafos são permitidos, tal como os silêncios, pois tudo tem o seu tempo.
  

9 de dezembro de 2014

Aveiro

Por um breve período da nossa história, foi chamada "Nova Bragança", e dizem por aí que é a Veneza Portuguesa.
Não conheço Veneza, que dizem linda, mas Aveiro fiquei a conhecer e adorei. Cidade luminosa, alegre e cheia de vida. 
Este fim-de-semana mais comprido e cheio de sol, foi por lá, muito bem guiados e acompanhados por amigos de sempre.

As pessoas são acolhedoras, os muitos prédios de arte nova exibem fachadas lindíssimas, a comida do mar e da terra soberba.
Os ovos moles, estrela gastronómica da cidade, a coroar as mais variadíssimas versões de doces.
Trufas de ovos moles, Tripas de ovos moles, pão-de-ló de ovos moles, gelado de ovos moles, bolas de Berlim de ovos moles, caramujos de ovos moles, …

Fizemos o passeio de Moliceiro, como qualquer turista que se preze, e as crianças adoraram.
Visitámos a Universidade, e a Sé. Admirámos a estação de comboios (tão bonita!), passeámos na barra ao pôr-do-Sol. Percorremos a Costa nova onde nos deliciámos com a visão dos "palheiros".

Trouxemos na nossa memória os mil e um painéis de azulejo, os pôr-do-sol, o colorido dos Moliceiros, histórias antigas do moliço e dos caminhos de sabor a Sal.

A quem não conhece, aconselho vivamente, mesmo sem guia e à deriva, tem tanto que ver e sentir que só pode correr bem.























Mantra*

Aproveita a vida.
Não queiras estar constantemente a justificá-la ou a arranjar provas de que és feliz.
Vive o momento.
Não corras a tentar apanhá-los todos, sempre a pensar na estrada que não conseguiste seguir.
Sê tu própria.
Não há duas pessoas iguais, cada um sente as coisas à sua maneira, e não faz mal.
Agradece. 
São tantas as coisas nos esquecemos de agradecer diariamente, só porque já nos habituámos a elas.
Muda de perspectiva.
Só uma esfera parece idêntica seja qual for o ponto de observação. Tudo o resto tem vários ângulos.
Acredita em ti.
Ninguém te conhece melhor que tu ou ficará mais feliz com o teu sucesso.
Responsabiliza-te.
Só te podes mudar a ti, és o ponto de partida e de chegada ao que aspiras.


* Porque ás vezes me esqueço do óbvio.

3 de dezembro de 2014

O medo

Ouvi no telejornal da RTP1, que a doença mais temida pelos portugueses é o cancro. E abanei a cabeça em concordância. Falaram de estatísticas, mas nessa parte deixei de ouvir. Pensei em todas as pessoas que conheço, e foram (ou são) vitimas dessa doença. Constatei serem demasiados nomes. Deixaram de ser só números, estatística aborrecida e distante casos desconhecidos. São nomes com cara. Familiares, amigos, colegas. Demasiados. 
Por isso temos medo. Não sabemos se... Quando... Como... Porquê ...  
Pensei na vitima mais recente, a doce J. que sempre me recebeu como mais uma filha. O choque, a impotência, a raiva, a tristeza, o medo, e tudo... E tudo. 

E pensei no P. 

Passa todos os dias por mim de manhã e diz "bom dia". 
Olho para ele à procura de sinais de melhoras, e respondo ao seu bom dia sumido. Parece uma sombra do que era. Magro. Demasiado magro. Conheço-o mal, apesar de trabalhar na mesma sala que ele há vários anos. Excluindo os bons dias, trocámos meia dúzia de frases nestes anos todos. 

Num par de meses a doença mirrou-lhe o corpo mas não o espírito.Tem trabalhado sempre, entre a luta constante dos tratamentos certamente dolorosos e, imagino eu, a vontade de manter a sanidade através de uma rotina. 
Vejo no seu olhar aquela teimosia de quem quer acreditar que será passageiro. Que vai vencer a batalha, pois não é justo que a perca. E não é.
Diz quem é religioso, que num mundo organizado por Deus, a casualidade não existe. Tudo tem uma razão. Por vezes esta certeza de alguns desorienta-me. Não consigo ir tão longe na minha religiosidade. 

Sejamos religiosos ou não, queremos acreditar na justiça. Assim a vida faz mais sentido.
Em momentos desta natureza, queremos acreditar que se fizermos tudo bem, se nos sujeitar-mos a todas a penas do tratamento, mereceremos a cura. Até aceitamos que a dor seja a nossa expiação, mesmo quando não existiu pecado. 
Depois de passarmos pelo sofrimento, seja de que tipo for, a tendência natural do ser humano é procurar a culpa. Temos que a encontrar no mais intimo de nós. Somos assim. Se temos a sombra do castigo existe obrigatoriamente culpa. Não podemos é viver sem justificações. E é fácil encontrar essa culpa dentro de nós. Porque somos imperfeitos.

Quem não pode ajudar também sente a culpa. Pela impotência. Pela gargalhada que se escapou. Pelo queixume que saiu sem motivo, comparado com um problema a sério. Por se sentir bem com a vida ou com outra coisa qualquer...
Ás vezes, quando me cruzo com ele na sala do café, penso em frases de apoio, em formas que demonstrem a minha empatia. Mas nunca chega a sair nada de jeito, não sei o que dizer. No que mais importa, não posso ajudá-lo. Ele sabe disso. Está sozinho nesta luta desigual. Neste sofrer teimoso.

Torço diariamente para que tudo corra bem. Para que saia vitorioso. Procuro discretamente no seu rosto, indícios do que lhe vai na mente, procuro o momento do regresso à serenidade. Correndo o risco de parecer egoísta, vencendo ele vencemos todos. Ganhamos em esperança. Acreditamos mais um bocadinho na medicina, que o sofrimento não é em vão. Que é possível dar a volta, basta não desistir de lutar. 

Já chega de vitimas!
Maldita doença que ataca silenciosamente. Que cresce dissimulada e invade o corpo sem pedir licença ou dar sinal de chegada. 
Por isso temos medo.

1 de dezembro de 2014

Sol de Inverno

Gosto das manhãs frias e solarengas que se seguem aos dias de chuva. O horizonte a perder de vista. A atmosfera límpida.
Tudo parece lavado, o brilho da vegetação húmida quase nos encandeia. 
Gosto de inspirar profundamente e absorver o cheiro adocicado a terra e a verde.
Gosto de encontrar a estrada vazia. Da sensação de solidão. Do sentimento de unicidade.
Gosto daqueles momentos em que chegámos à rua, e parece que o mundo ainda está a dormir, e só nós acordámos.

Não gosto de acordar cedo, e muito menos sair para o frio que faz lá fora. Mas nos dias de Inverno* em que o sol brilha, e a pele gelada pelo vento é aquecida pelos primeiros raios, como que transmuta. E este contraste revitaliza-me. Tudo o que me rodeia fica mais perceptível. Mais palpável. É um sentir em alta definição, as cores, os sons, os cheiros, o quase toque.
É um acordar de chofre. Mais que acordar, é um despertar abrupto desta modorra dos dias que nos pode entorpecer devagarinho. E se sonhar é bom, é ainda melhor se o fizermos de olhos bem abertos.



* ainda estamos no Outono, mas já me cheira a Inverno

28 de novembro de 2014

Quando cheira a lareira acesa

Na minha rua ao chegar o frio, regressa com ele uma das mais preciosas recordações de infância, o cheiro da lenha a arder.  
Não acontece todos os dias. Diria que acontece quando não chove e o vento está de feição. Ou quando a minha chegada coincide com a chegada dos vizinhos que acendem lareiras. Ou a mistura destes factores, ou de outros quaisquer...
Não sei em que condições se dá a efeméride, ou porque é rara, mas quando se dá... É um momento perfeito.  
Mal o aroma me atinge, eu recebo-o sôfrega. Abro as janelas do carro, fecho os olhos, e respiro profundamente. 
Sinto-me voltar atrás no tempo. 

No Inverno esta é uma melancolia recorrente que me invade. 
A saudade da lareira, e com ela, a de todos os cheiros e sabores relacionados.
O aroma resinoso, libertado pelo pinho a arder, ou acre, quando se queima a esteva e giesta. 
E mais raro, o das cascas de laranja secas do dia anterior que derretem lentamente no braseiro. 
As torradas de centeio na brasa, acompanhadas com uma mistura de café aromático feito no pote pela minha avó. 
As castanhas assadas no assador tradicional, pendurado por cima da labareda alta, que lhes lambe a casca até ficar chamuscada, tornando-as ainda mais doces.
Os cogumelos selvagens assados, com cheiro a fumo, temperados só com sal e azeite. 
As pêras inverniças, cozinhadas lentamente no borralho até ficarem caramelizadas junto à pele, que comíamos à ceia, antes de dormir, quando o ratinho da fome voltava a espreitar.

Tudo isto e mais, me vem à memória quando aumenta o frio, e se acendem as lareiras da minha rua. Tudo isto de olhos fechados e coração aberto passa por mim, durante os segundos que fico ali, sozinha num estado indefinido, onde só o corpo permanece como veiculo de uma viagem ao passado de mim. 
Dias felizes, que eram perfeitos, sem o saber.



27 de novembro de 2014

A escolha

Ser o condutor inexperiente, num caminho desconhecido, que te poderá levar, ou não, onde queres ir.

Ser o pendura, num caminho seguro e confortável, que te leva para onde os outros querem ir. 




24 de novembro de 2014

O Natal é quando um filho quiser

Sempre decorei a árvore de Natal no dia 1 de Dezembro. Primeiro dia do mês e feriado. Calhava mesmo bem.
Acontece que 1 de Dezembro já não é feriado, e as tradições ás vezes quebram-se.
A pedido da criança pequena, está aberta oficialmente a época natalícia cá em casa.
Porque o Natal é acima de tudo quando uma criança quiser. Na medida da sua capacidade de persuasão...

Mal viu as decorações por esses centros comerciais fora, começaram os pedidos fofinhos (o massacre),
"mamã, vamos decorar a árvore de Natal ...",
"mamã, o meu pai deixou tu ires buscar a árvore para decorar juntos",
"mamã, tu podes ir para a cozinha cozinhar, e eu e o meu pai vamos decorar a árvore de Natal...",
"mamã, o Natal está quase a chegar e ainda não decorei a árvore!"
...
...
Depois de uma semana inteira a ouvir (até à exaustão) frases que continham a palavra "decorar" e "Natal",quebrei a tradição. Ainda é Novembro, e já temos cá em casa todas as decorações e preceitos natalícios... E sossego.
Pensava eu.
Um dia depois, segura-me pela mão e leva-me junto da árvore.
Eu a despachar digo, "está muito bonita filho, fizeste um bom trabalho".
"Pois é, mas falta qualquer coisa."
"O quê?..." perguntei baixinho, entre o alarmada e o desconfiada,  pois temia que o sossego tivesse acabado.
"Faltam os presentes, mamã..."
...
O meu cérebro  a mil à procura de uma explicação que satisfizesse uma criança de 4 anos. 
...
"Tens razão filho. Precisamos de escrever a carta ao pai Natal, para que não se esqueça."
E é assim que se quebra uma tradição e começa outra, escrever a carta ao pai Natal...




23 de novembro de 2014

Tarte de Abóbora

Gosto de cozinhar.
Não sei se já o disse. Relaxa-me e faz-me feliz.
Principalmente no Inverno, quando fico tarde inteiras em casa a ver a chuva cair. E em dias de neura.
Conforta-me sentir o cheirinho das especiarias, e o calor do forno. Antecipo com prazer o resultado final.
Gosto (demais) de ver programas de culinária e experimentar os pratos que me ficam na memória.
Muito mais os salgados que os doces, porque são os que prefiro comer. Além disso a doçaria é geralmente uma ciência exacta, e não se compadece com (a criatividade de) pessoas que adoram inventar (eu).
Hoje fiz uma tarte doce de Abóbora. Andava a pensar nela há uns dias, e ficou divinal. tão boa que quando me lembrei de lhe tirar uma fotografia ... Já só tinha um bocadinho.

A M apareceu cá em casa, e foi um bom fim de tarde. Conversa descontraída, uma aromática caneca de chá e a Tarte.
Eu e ela, só não comemos mais fatias (foram duas cada uma), porque o lanche foi tardio e já estava próxima a hora do jantar.

Para repetir... e partilhar com quem se gosta e aprecia um doce. Não há melhor.



Podia ter ficado mais bonita, mas é deliciosa, que é o mais importante!


21 de novembro de 2014

Mais que mãe

Nunca fui pessoa de achar que a maternidade era tudo na vida de uma mulher.
Desejei-a muito, durante algum tempo. De tal forma que se poderia ter tornado (tornou?) uma obsessão. Desejei-a ainda mais quando quase me convenci que seria impossível.
Ainda assim via alternativas, via-me incompleta, mas via-me.
Quando o milagre se deu, fiquei a flutuar durante meses entre a incredulidade e o receio de acordar de um sonho. Talvez como consequência de tudo isso, quase me anulei durante os primeiros anos do meu filho, queria aproveitar ao máximo o estado de euforia que a maternidade me trouxe.

Hoje, sei que aproveitei muito bem cada fase, mas que me perdi um pouco no processo.
E claro que não vale a pena sequer pensar em lamentações, fiz o que queria e sabia, durante esse período.
Mais de quatro anos volvidos, e tendo finalmente assumido a necessidade de ser mais, ainda me custa organizar de outra forma. 
Talvez porque a semana corre sem se dar por ela, entre trabalho, banhos, refeições e outras tarefas, o tempo livre é cada vez mais escasso. Chega o fim-de-semana e acabo a planeá-lo em função dos momentos de lazer com o meu filho. As idas ao parque, ás festas de aniversário dos seus amigos ou a um qualquer sitio recomendado para crianças.

Não me estou a queixar, gosto disto. Adoro vê-lo feliz, e também eu me divirto. 
Mas dou por mim várias vezes a pensar no quanto preciso de conversas (só) de adultos. Daquelas que não são interrompidas por crianças de 5 em 5 minutos. Em sítios não necessariamente kid friendly.
A ansiar por um jantar sem interrupções, uma ida ao teatro sem hora para voltar.
E na loucura, uma saída à noite para um copo de vinho e boa musica, ou dançar até de madrugada.

Acabo de escrever isto, e já me estou a ver criticada verbalmente, ou em pensamento por umas quantas pessoas. Estão no seu direito. A cada um as suas opiniões. desejo que sejam todos muito felizes nas suas escolhas.
Mas eu sou muito mais que só mãe, já o era antes, a maternidade acrescentou-me (muito), não me define, nem me substituiu. 
E cabe-me a mim fazer o possível para conseguir conjugar este papel que a maternidade me trouxe (e que adoro), com todos os outros que me compõem como individuo, que são vários e que tenho negligenciado.
Cada um sabe de si e das suas necessidades. Eu de mim sei que preciso de mais, que sou mais. Aceitá-lo foi o primeiro passo, agora urge equilibrar tudo, para conseguir a plenitude que todos merecemos. Não é simples nem fácil, mas é necessário.
A inercia paga-se cara.  




18 de novembro de 2014

Medufa crónica

Ontem depois de sair do trabalho, a caminho do infantário, participei pela primeira vez numa operação STOP da policia.
Não sei que procuravam, mas quase entrei em pânico. 
Mal me fizeram sinal para encostar (numa rotunda em hora de ponta), comecei a hiper-ventilar. 
Parei, puxei o travão de mão e desliguei o carro. 
O aparato era grande, Vários policias à minha frente e dois carros patrulha de lado.
Baixei o vidro, e disse boa noite à jovem policia que me abordou. Ela, depois de fazer continência, pediu os documentos do carro enquanto um colega o contornou com ar observador.
Tirei o cinto, para conseguir agarrar a mala e dei-lhe tudo o que me ocorreu. Cartão do cidadão, carta de condução, seguro e titulo de propriedade. Fiquei na expectativa com receio que me fizesse alguma pergunta "técnica" (sei lá!), daquelas óbvias para quem está à vontade dentro de um carro, mas que para mim seria a morte do artista.
Só pensava para comigo, "oxalá não se perceba os nervos que me assolam..." 
Ela deve ter demorado uns 15 segundos a dizer que estava tudo bem, que podia seguir, mas devem ter sido os meus 15 segundos mais demorados dos últimos tempos.
Enquanto punha o cinto, senti-me de novo aluna de condução, a pensar freneticamente se devia fazer o pisca para a direita, a avisar que ia iniciar a marcha, ou para a esquerda, a indicar que iria sair na próxima saída da rotunda... 
Mas porque raio fazem eles operações de STOP em rotundas?!! Ainda mais de três faixas!
No meio de tamanha confusão mental, quase não vi o autocarro que vinha da minha esquerda, e me fez uma razia quando eu estava quase a iniciar a marcha... Se eu fosse pessoa despachada, tinha atropelado o autocarro logo ali!
Lá consegui arrancar ilesa entre piscas vários, (na dúvida fiz à esquerda e à direita...). 
Nem olhei para trás com receio que se arrependessem de me deixar ir, e suspeitassem que eu era culpada de alguma coisa. 
Nem que mais não fosse, de medufa crónica de andar na estrada.





17 de novembro de 2014

O melhor do meu fim de semana

Eu, que sempre me senti um pouco desorientada em festas de crianças antes de ser mãe, dei por mim a concluir que o melhor do meu fim de semana foi a festa de aniversário de um amigo do meu filho, no domingo de manhã.
Uma quinta muito bonita. Um dia muito aprazível. A felicidade estampada na cara dele(s).
Foi muito bom reencontrar alguns pais do antigo infantário, trocar experiências e pontos de vista. 
Confirmar que os nossos receios e expectativas, são afinal muito semelhantes. 


12 de novembro de 2014

Comentar o comentário

Tenho muitas vezes vontade de comentar em blogues que gosto. Ás vezes não o faço por preguiça, outras faço, e a seguir fico com receio de ser mal interpretada. Porque é certo e sabido que só quem escreve sabe o que sente naquelas palavras, e depois quem lê, pode sentir algo parecido ou completamente diferente. A leitura de cada um é sempre à sua imagem. E isto é o que a palavra escrita tem de fantástico e terrível. Pode ser tudo para uns e nada para outros. 

Mas voltando ao assunto, (porque são muitas a vezes em que a preguiça perde), deixei um comentário no blogue da Marta, num post onde ela fala do que a fez começar a escrever um blogue, e do que a motiva a continuar. 
Partilhar. Reciprocidade.

Escrever pode ser de facto um exercício solitário, que costuma começar em nós e por nós, mas quem o faz, acaba por assumir mais cedo ou mais tarde que  prefere ser lido. Que gosta de retorno. Que motiva saber que alguém lê. Também eu sou assim, (obrigado aos que continuam a vir cá). 
Isto para deixar aqui (para que nunca fique esquecido), o conselho que ela me deu, quando lhe disse que andava a pensar criar um blogue :

"Vai em frente amiga, faz enquanto for por gosto e sem esperar nada em troca."

É um conselho sábio, que se aplica não só à criação e manutenção de um blogue mas a tantas coisas nesta vida. 







11 de novembro de 2014

Oi?

Resposta do meu filhote depois de o ameaçar com castigo:
"Mãe, se eu ficar de castigo... tu ficas de castiga!"





9 de novembro de 2014

Fala-se de crise

Fala-se de crise. Mais que falar vive-se. Mas chega a esta altura as pessoas perdem a cabeça.
Um hipermercado que toda a gente conhece, coloca os brinquedos com 50% de desconto e toda a gente corre para lá, apesar da crise ou por causa dela.
E eu também fui. 

Com os sucessivos aumentos de imposto e cortes de ordenado, temos que ser criativos, rever prioridades. Eu, de há uns tempos para cá, entre outras medidas, tento criar plafonds (razoáveis) para prendas, abafar o lado consumista e valorizar mais os afectos, o tempo, a atenção, os mimos e tudo o que se pode partilhar sem preço. Mas sei que com as crianças mais pequenas, é difícil resistir, é difícil não comprar o brinquedo que o fará sorrir e pular de alegria, aquele que vão pedindo ao longo do ano quando passam nas prateleiras cheias, e nós dizemos "não, já tens muitos". 
E compramos. Afinal tem 50% de desconto em cartão... E já agora outro, fica para o aniversário, é um bocado caro, mas tem 50% ... E é assim que acabamos por gastar demasiado em brinquedos, naqueles que não compraríamos por serem demasiado caros. É um engodo. Gastamos sempre mais que todos os plafonds imaginados, mas convencemos-nos que estamos a poupar. 

Olhamos em volta e a loja está cheia, as pessoas esgotam prateleiras, e quando algum brinquedo da moda parece estar a acabar, parecem marabuntas a cobiça-los, a colocá-los no carrinho de compras sem saberem bem ainda se o querem levar. Assisto ao verniz que estala, à falta de educação e de civismo que parece atacar as pessoas que empurram e atropelam quem se atravessa no seu caminho, como se tivessem fome e aquele fosse o ultimo pão da prateleira, (nem quero imaginar como se comportariam se fosse!). 
Fala-se de crise. E ela existe. Mais do que se fala, mais do que se imagina. Mas não é só financeira. 
A crise de valores que se vem revelando, e que não se consegue camuflar com quaisquer bens materiais, vem ao de cima. 
E essa, a somar à outra, transforma a minha crescente preocupação em medo.





8 de novembro de 2014

Hoje foi um dia mesmo bom

Hoje foi um dia bom.
Eu e o meu filhote ficámos sozinhos em casa. Tratei de despachar as arrumações e as limpezas porque esperávamos que a qualquer momento chegassem o meu irmão e a namorada. Acontece que eles acordaram tarde e ligaram-me a dizer que a preguiça tinha atacado em grande. Ou seja, (deduzi eu), o que lhes apetecia mesmo era ficar em casa enroscados a namorar. Tudo bem, sou a favor do amor. Fica para outro dia.

Choveu o dia todo, o frio convidava a chá, uma fatia de bolo, e um bom filme ou livro.
O meu filho açambarcou a televisão e eu decidi ler. E foi bom. Sem horas, nem mais obrigações ou satisfações a dar. 
Tivemos tempo para tudo. Conversar, brincar, lanchar a tal fatia de bolo e chá, ou leite com chocolate no caso do meu filhote.
Não cedi à tentação de cozinhar qualquer coisa rápida para nós, e fiz do jantar para dois um repasto, pato com batata e abóbora assados no forno. Comi devagar na companhia do meu filho e de um belo copo de vinho tinto. 
Ele não gosta de adormecer sem o pai, por isso esse foi o único desafio do dia. A hora de dormir. Convence-lo que está na hora. Que quando o pai vier já é muito noite, e ele não pode esperar.
Inventar uma história que não é assim, nunca é. Cantar a musica. Sempre a mesma desde que nasceu. A do cavalinho mãe...

Hoje foi um dia mesmo bom.
Ás vezes tenho medo da solidão. De ficar sozinha e não gostar. Mas dias assim mostram-me que gosto. De vez em quando gosto. Gosto da minha companhia. De fazer o que quero, quando quero, ou não fazer nada. ficar a sós com os meus pensamentos, os meus livros, e eu. Interrompida apenas pelo meu filho, e pelas suas necessidades, tão simples como uma resposta, um olhar, uma brincadeira a dois.
A solidão é tão relativa. Não tem nada a ver com quantas pessoas estão à nossa volta. Podemos estar sós no meio da multidão. Tem muito mais a ver com comprimento de onda, e quantas pessoas á nossa volta partilham do mesmo que nós.
Hoje não me senti nada só. E se por momentos até me apeteceu sair de casa, foi só porque achei que seria aborrecido para o meu filhote passar o dia só comigo.
Hoje não conheci sítios novos, nem pessoas novas, que é algo de que gosto muito. Hoje confirmei o que já deveria ter como certo há muito tempo. Gosto da minha companhia. 

Hoje foi de facto, um dia mesmo muito bom.




É por ali

O que fazer ?
Quando todas a setas apontam na mesma direcção.
Quando ouvimos constantemente a mesma música sem a procurar.
Quando tropeçamos vezes sem fim nas mesmas palavras.
Quando os sonhos (e os pesadelos) se tornam recorrentes.
Quando percebemos que o nosso maior obstáculo somos nós...




6 de novembro de 2014

Lógica infantil


O meu filho, como todas as crianças de quatro anos, tem raciocínios que me surpreendem. Mas hoje deixou-me sem resposta.
De manhã estava eu a vestir-me no quarto, quando apareceu de pijama para pedir beijinhos como sempre. Pus-me de joelhos para o abraçar.
Depois dos beijinhos, aponta para o meu peito e pergunta:
- como se chama isto nas tuas maminhas? Disse, apontando para o mamilo.
- Mamilo, respondi. Quando eras bebé era por aqui que tu bebias o leite.
- Leite?!! Tens leite nas maminhas?
- Agora já não, só quando eras muito pequenino.
- E agora, o que é que tu tens aqui dentro? disse ele, apalpando desconfiado, água ?
- ?????






2 de novembro de 2014

Na Quinta da Regaleira

Sob o pretexto de uma grande aventura, este Domingo o passeio foi com amigos à Quinta da Regaleira.
Os miúdos correram à vontade, subiram, e desceram escadas, deram largas à imaginação, e foram muitas as exclamações de assombro!
A quinta é lindíssima, e só um excêntrico com muito dinheiro poderia ter criado algo tão belo e misterioso.
Nós fomos um pouco tarde para horário de Inverno, apesar das duas horas de passeio, não tivemos tempo para visitar o interior do Palácio. Será um passeio a  repetir na Primavera, desta vez com o Palácio como ponto de partida.
Claro que, de regresso a casa parámos no sítio de sempre para as queijadas e os travesseiros do costume...
Depois de um lanche tardio de chá, travesseiros e queijadas, o meu jantar foi... uma sopa.

Deixo aqui uma pequena amostra de alguns pontos mais especiais, e da vista que aquele local nos oferece.




Torres para nos elevar o espírito. A ligação entre a Terra e o Ar.



O Castelo dos Mouros emoldurado pela Lua e o seu Monte.

O poço iniciático, que simboliza o regresso à Terra,  ao ventre e ao nosso interior.




Adorei o reboque dos Estrunfes!

Os últimos raios de sol no Palácio da Pena.